sábado, 19 de agosto de 2017

Lula, Dilma e o PT não choraram por Barcelona.

Para o partido que virou organização criminosa, os terroristas do Estado Islâmico sempre foram bons comparsas. Augusto Nunes:


Em dezembro de 2014, ao baixar em Nova York para a Assembleia Geral da ONU, a ainda presidente Dilma Rousseff resumiu em dilmês castiço o que achava da ofensiva militar dos Estados Unidos, então em curso, contra os terroristas do Estado Islâmico. “Lamento enormemente os ataques na Síria. Nos últimos tempos, todos os últimos conflitos que se armaram tiveram uma consequência: perdas de vidas humanas dos dois lados”. Os lamentos de Dilma sempre foram condicionados pela posição do morto frente aos Estados Unidos. Como todo petista, ela só chora a partida de inimigos do imperialismo ianque.

Os devotos da seita jamais derramaram uma única lágrima pelas vítimas do bando de fanáticos, tantas delas decapitadas em repulsivos rituais filmados pelos carrascos e transmitidos como se fossem programas de TV. Dilma, Lula e todos os companheiros não deram um pio sobre os massacres brutais, os estupros selvagens, a pena da morte por heresia aplicada a quem não se rende aos dogmas dos terroristas que matam em nome do Islã. Os soldados petistas só “lamentam enormemente” a perda de aliados na guerra perdida que travam desde o século passado contra o Grande Satã Americano.

Na continuação do besteirol em Nova York, Dilma defendeu o diálogo com o Estado Islâmico. Como se decepadores de cabeça soubessem o que é isso. Como se houvesse algum caminho que leve à vitória sobre o exército assassino sem passar pela ofensiva militar por terra que retome o território ocupado pelos psicopatas à caça de alguma das 11 mil virgens. Quem defende o diálogo é cúmplice dos terroristas que, com a erupção do horror em Barcelona, ampliaram o acervo de massacres em países europeus.

Lula, Dilma e o resto do partido que virou bando não abriram o bico sobre o atentado em Barcelona. Preferem comemorar sem muito barulho a ousadia do atropelador de civis distraídos, outra prova que ninguém pode deter um serial killer solitário. O apoio enviesado ao Estado Islâmico não deixa de ser um sinal de coerência. Só poderia ser esse o comportamento de gente que fez há muito tempo a opção preferencial pela treva.

Gênio, machista ou petista. Quem é o Chico em 2017?

No final do mês será lançado o CD "Caravanas" , novo álbum de Chico Buarque, e o single "Tua cantiga" já divide opiniões num país cada vez mais repartido, escreve o repórter Luís Freitas Branco, do Observador, numa reportagem mais ou menos. Bene, Chico é tudo isso: gênio, machista e petista:


“Essa é também para quem é preconceituoso”, arrisca Mallu Magalhães no principal programa da manhã brasileiro, “e diz que branco não pode tocar samba”. A introdução à canção foi breve, e serviu de fogo posto para incendiar a internet durante os últimos meses. A primeira labareda chegou com o vídeo do single “Você Não Presta”, acusado de racismo pela forma como representa os dançarinos negros. Considerada culpada, a cantora quase-lisboeta é agora persona non grata em terra brasilis, facto que passou despercebido a Valter Hugo Mãe, quando decidiu publicar o controverso single no Facebook. “E como andam as discussões de racismo por além mar?”, insurgiu uma internauta, para total surpresa do escritor. A verdade é que ainda existe um tanto mar que nos distancia, e antes que Valter Hugo Mãe elogie “Tua Cantiga”, novo single do branco mais famoso que toca samba, Chico Buarque, vale ressaltar que pela primeira vez na carreira o compositor está a ser acusado de machismo, com alguns defendendo que este país não mais é para o velho Francisco, e outros que ele nunca esteve tão astuto.

“Quando teu coração suplicar/ 
Ou quando teu capricho exigir/ 
Largo mulher e filhos/ 
E de joelhos/ 
Vou te seguir”

Estes versos do single “Tua Cantiga”, primeira amostra do próximo álbum Caravanas (que tem edição marcada para dia 25), colocaram o escritor de “Construção” numa posição incomum, alvo de críticas de machismo e de letrista ultrapassado. “Acho que foi a primeira vez na vida que vi mulheres fazendo restrições a Chico Buarque”, escreveu o jornalista Luciano Trigo no G1, “Chico parece preso a uma visão da mulher – e da relação homem-mulher – dos anos 70 do século passado. Para as mulheres lacradoras com menos de 30 anos, essa ladainha de promessas e súplicas não diz mais nada: elas não querem um homem que largue mulher e filhos”.

Érico Andrade, colunista do Diário de Pernambuco, foi ainda mais longe e insurgiu: “Quero falar dos homens de Chico que controlam, subjugam e dominam as suas mulheres. Quero sublinhar que as mulheres de Chico estão em função desses homens”. Segundo o colunista Ancelmo Gois, Ana de Hollanda, irmã de Chico, argumentou que “condenam o autor da frase, sem terem se dado conta de que os personagens das canções de Chico — aliás, de qualquer ficcionista — não costumam ser autobiográficos. Que o compositor descreve situações e sentimentos corriqueiros, e até comuns, concordando ou não com eles”.

Romântico? Sim, claro, mas…

A polémica está lançada, e a aparente canção suave sobre um romance extraconjugal colocou a música e a posição de Chico em cheque, depois de anos proclamado como dotado de uma singular perspetiva feminina, celebrado até pela banda carioca “Mulheres de Chico”. Nas redes sociais, mulheres identificadas como fãs não aceitaram receber essa “Tua Cantiga”, que chegou como um balde de água fria, ou melhor, como o famoso meme de Chico, tendo uma cara sorridente antes de ouvir o single, e sisuda depois do controverso verso.

Entre os textos mais compartilhados está “O amor datado de Chico Buarque”, de Flavia Azevedo, produtora e colunista do jornal “Correio”. “O datado está se referindo ao personagem criado pelo compositor para a música ‘Tua Cantiga’”, explica ao Observador, “esse personagem diz coisas que não me emocionam como mulher, não são coisas que são românticas aos meus ouvidos, e ouvidos de outras mulheres, pela primeira vez eu percebi uma música de Chico não ser unanimidade”. A colunista reitera que a sua opinião não é “patrulha ideológica”, e muito menos querer abalar a carreira do cantor que tanto admira, mas considera fundamental explicar que o sentimento expresso na canção “é datado, porque esse sentimento já pode ter sido sedutor noutro momento de feminino, e agora a gente pode estar mudando”.

Mauro Ferreira, crítico musical do G1, adiantou na sua coluna que o álbum de “Tua Cantiga” é lançado dia 25 de Agosto e que vai ser composto por sete canções inéditas e duas regravações. “Chico passou a gravar menos a partir dos anos 90”, lembra ao Observador, “são discos feitos com intervalos de cinco, seis anos. Observa-se então uma produção fonográfica pautada por um maior requinte harmónico, mas com músicas de menor apelo popular.” Sobre a controvérsia, Mauro reafirma que o cantor “escreve letras com base em amores fictício”, e que “por mais que a visão do compositor sobre a relação homem-mulher possa estar ultrapassada, face às conquistas femininas, é bobagem e perda de tempo julgar o comportamento de um artista por conta de uma letra de música que narra caso fictício de amor”.

Apesar das recentes críticas de estar fora da realidade romântica atual, o colunista revelou recentemente que entre as duas regravações no Caravanas está a canção “Dueto”, com a neta Clara Buarque, onde os dois brincam de improviso sobre amores de Tinder e Instagram. “Cabe lembrar que o novo repertório apresenta conexão com um compositor jovem, neto de Chico, parceiro em ‘Massarandupió’”, explica. “A colaboração de um compositor jovem, de outra geração é uma novidade na obra de Chico. Mas que ninguém espere uma revolução estética como as feitas comumente por Caetano Veloso. O fato de ‘Caravanas’ ter sido gravado com os mesmos músicos do álbum anterior, ‘Chico’, já demonstra que o artista vai se manter fiel ao som do disco de 2011.”
Com (menos?) açúcar e afeto

Prestes a lançar o 23º álbum da carreira, a questão aqui é sobretudo quem é, e o que representa Chico Buarque em 2017. Há 50 anos, o autoproclamado “macaco de olhos verdes” cantava “Com Açúcar, Com Afeto”, uma das suas primeiras tentativas da perspetiva feminina, onde um operário se perdia pela noite em copos, enquanto a esposa desesperava em casa.

“Quando a noite enfim lhe cansa/ 
Você vem feito criança/ 
Pra chorar o meu perdão/ 
Qual o quê!”
[…]
“Logo vou esquentar seu prato/ 
Dou um beijo em seu retrato/ 
E abro os meus braços pra você”

Será esta canção mais uma prova cabal que Chico defende a devoção eterna da mulher ao homem, uma grande ironia, ou um retrato fiel do país retrógrado em 1967? Ou mirem-se no exemplo de “Mulheres de Atenas”, quase um bê-á-bá de como ser machista, ou melhor, de como representar liricamente um machista. E hoje, será que existe compreensão para um letrista de nuances?

“Chico sempre tem um olhar lírico e crítico sobre o Brasil”, explica-nos Cacá Machado, “Neste sentido, ‘Tua Cantiga’ que acabou de sair é um bom exemplo”. Além de historiador e músico, Cacá é um dos colaboradores de A Mulher do Fim do Mundo, de Elza Soares, o modelo máximo de como tratar a música brasileira atualmente. Machado pertence ao grupo de pensadores e críticos que proclama esta fase da carreira de Chico como cada vez mais elaborada, astuta, detalhada e subtil.

“Numa leitura mais superficial pode parecer uma canção de um amor anacrónico”, sugere sobre o controverso single. “Mas, quando ouvimos com mais atenção, percebemos que a música composta por Cristóvão Bastos flirta com o lundu, género do século XIX que carrega todas as questões da escravidão no Brasil.” A visão do historiador cria uma linha entre o single e “Sinhá” de Chico (2011), uma referência mais óbvia ao antigo regime esclavagista. “Em ‘Tua cantiga’ o tema é mais velado, mas traz a memória crítica de um Brasil profundo”, continua. “Chico, às vezes mais lírico, às vezes mais ácido, sempre procura vasculhar e embaralhar a memória do país.”

Ao lado de Lula

A memória do país e o nome Chico Buarque é outro verso altamente polémico. No ano passado, com um Brasil politizado, e completamente dividido entre “coxinhas” (filiados ao PSDB) e “petralhas” (PT), não havia dúvidas para ninguém em que posição estava o cantor. Enquanto a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) discursou na fatal sessão de impeachment, Chico sentava na arquibancada do Senado, ao lado de Luiz Inácio Lula, o mal encarnado para uma parte da população. Antes disso, o cantor já tinha apoiado em propaganda a eleição de Dilma, assim como fez nos eleitorados anteriores por Lula, dando a cara e corpo ao Partido dos Trabalhadores.

Essas imagens ficaram presas na retina de alguns “coxinhas”, que já gritavam “vai trabalhar vagabundo” desde que se convenceram que o cantor recebia dinheiro através de leis estaduais de incentivo à cultura (lembrando que Ana de Hollanda foi ministra de cultura no primeiro governo de Dilma). “Acho que o tempo brutalmente polarizado que vivemos hoje em dia fizeram do Chico refém dessa imagem”, concorda Cacá, “mas vejo a obra dele muito maior do que posicionamentos partidários”. Mauro Ferreira defende que não pode existir mais nada a provar para um cantor de 73 anos. “Podem atacá-lo pelo mero prazer de falar mal, mas nada afeta o prestígio do compositor a essa altura do campeonato.”

“Para quem mora em Paris é fácil”, ouvia-se em 2015 num restaurante no Leblon, bairro do Rio de Janeiro onde mora o cantor. “Você mora em Paris?”, responde Chico. “Todo mundo era seu fã”, contínua o jovem irritado, como podemos ver também em vídeo. Pode ser estranho para grande parte dos portugueses, sobretudo a geração de Abril, que associa o cantor de “Tanto Mar” à libertação democrática de um povo, porém, se passar pelo teste de espreitar uma caixa de comentários de qualquer artigo sobre o cantor, vai deparar-se rapidamente com um ódio desmedido, que já faz parte do discurso político brasileiro nos últimos tempos.

Mesmo fora da internet, alguns jornalistas de direita, como Reinaldo Azevedo, ex da revista Veja, vivem numa cruzada ideológica contra o cantor, com títulos de crónicas como “Que Chico Buarque e Caetano descansem em paz no túmulo da impostura” ou “Mas, afinal de contas, Chico Buarque é ou não é um merda?”. Para o eterno defensor da “gente humilde” isto representa uma situação inusitada, num mundo onde já não existe um “nós” (povo) contra “eles” (ditadura militar), mas uma guerra civil de comentários ofensivos de 140 caracteres.

“Hoje em dia na internet as pessoas falam o que vem na cabeça”, disse o próprio em grandes gargalhadas num documentário de bastidores, “a primeira vez que vi isso não sabia como era o jogo e fiquei espantadíssimo, o artista geralmente acha que é muito amado”. Hoje, ver o cantor em público é cada vez mais raro, deixando até de fazer as participações surpresa no bar Semente (Lapa, Rio de Janeiro), apesar de alguns crédulos continuarem a visitar o estabelecimento com fé na aparição.

E aí, Brasil?

Quando Augusto Boal, o grande dramaturgo brasileiro, estava exilado em Lisboa, o seu amigo Chico Buarque deixou notícias em verso, que infelizmente voltam a fazer todo o sentido em 2017, num eterno roda vida que são estas canções:

“Aqui na terra tão jogando futebol/
Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll/
Uns dias chove, noutros dias bate o sol/
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta”

A coisa está mesmo preta, e além de quem acusou o cantor de machismo, elogiou a subtileza da nova fase, ou condenou de comunista, existe um quarto grupo de ouvintes atentos, que esperava que Chico Buarque retornasse da neblina para fazer música de protesto sobre a coisa preta, cantar “Apesar de Você” em vez de “Samba e Amor”. “Eu acho que devemos tomar cuidado com cobranças e polarizações, a rigor Chico nunca fez música de protesto”, indica Cacá, ‘‘‘Apesar de Você’ é uma canção de protesto? Pode até ser entendida como tal, mas o contexto de sua criação tem mais a ver com a poética lírica da obra do Chico do que com um conteúdo programático de protesto do CPC (Centro Popular de Cultura, grupo estudante de resistência) da época.”

Se as letras recentes de Chico não agradam quem deseja gritos de guerra para marchar pelas ruas, podem contentar-se com a presença eventual do cantor em alguns comícios. No ano passado, um grupo de protestantes ocuparam o Canecão, o famoso palco abandonado no Rio de Janeiro, e convidaram o próprio Chico a participar no movimento “Ocupa Minc” (Minc é o Ministério da Cultura, e o protesto eram atos culturais contra o iminente impeachment). Quando o cantor sobe ao palco, improvisa “Apesar de Você”, para uma plateia que acompanha em uníssono, crente na imortalidade de canções sobre dias melhores. Depois, a assessoria explicou que ele não cantava “Apesar de Você” desde os anos 70 e que, por norma, evita o reportório fortemente associado aos tempos da ditadura militar, o que é razoável para quem foi perseguido e exilado.

Para ouvir os pensamentos de Chico sobre a atualidade política, o melhor é mesmo tentar acompanhar esses momentos fortuitos, porque de entrevistas o compositor é famoso por ser desconfiado, estando numa suposta “guerra” com a poderosa rede Globo desde que participou num documentário internacional que apontava o dedo à participação ativa da emissora no regime militar.

O último álbum de originais foi Chico em 2011, e depois se seguiu o livro O Irmão Alemão em 2014, e até ao final do mês vamos poder ouvir o esperado Caravanas. Se ainda só existe um single, e já se debate com este afinco a importância ou degradação da obra, isso só pode significar que a discografia continua relevante hoje como era há 50 anos. “Chico Buarque é a prova mais evidente de que a canção autoral no Brasil não é mero entretenimento, ao contrário, um modo de transformação cultural e social”, lembra Cacá. Em 2018, quando já estiver provavelmente preparando seu próximo livro, desconfiamos que para o velho Francisco deve seguir tudo igual, indiferente aos latidos das caixas de comentários. Enfim, os cães ladram e o Caravanas passa, e em breve vamos todos poder discutir novamente quem é Chico Buarque.

A lei da selva se instala na Venezuela do bufão Maduro

O ditador Nicolás Maduro, ex-condutor de ônibus e cria de Chávez, com quem fala através de um passarinho, consolidou o fascismo do século XXI no país ao eliminar o Parlamento. Não, o Brasil não rompeu com o bufão socialista. Sim, o PT, o Psol e o PCdoB continuam apoiando o tirano. Bufão, para esses obstinados antiamericanos, é Trump. Leiam a ampla matéria da revista Exame:


A Assembleia Constituinte, dominada inteiramente pelos chavistas, assumiu nesta sexta-feira os poderes da Assembleia Nacional, de maioria oposicionista. O ato consumou o projeto chavista de esvaziar o poder da oposição na Venezuela, conquistado por meio da última votação na qual cada eleitor teve direito a um voto, em dezembro de 2015. Em contraste, a Constituinte foi eleita no dia 30 por um sistema desenhado para garantir a vitória do governo, e sob boicote da oposição.

Por sua convocação não ter sido aprovada por referendo, como prevê a lei, a Constituinte não é reconhecida por Brasil, Estados Unidos, União Europeia e outros países. Segundo boletim de apuração dos votos obtido pela agência Reuters, até as 17h30, uma hora e meia antes do fechamento das urnas, apenas 3,7 milhões de pessoas haviam votado, de um universo de 19 milhões de eleitores.

O decreto que toma posse da Assembleia, aprovado por unanimidade, foi lido pelo vice-presidente da Constituinte, Elvis Amoroso. Ela assume “as competências para legislar sobre as matérias dirigidas a garantir a preservação da paz, a soberania, o sistema socioeconômico e financeiro, os fins do Estado e preeminência dos direitos dos venezuelanos, assim como para ditar atos parlamentares em forma de lei vinculados às referidas matérias”. Ou seja, pode fazer tudo.

A oposição rejeitou a decisão. “A Constituinte é nula e seus atos, ilegais e inconstitucionais”, reagiu, pelo Twitter, o deputado Freddy Guevara, vice-presidente da Assembleia Nacional (AN). “A decisão de anulação não será acatada pela AN, comunidade internacional ou o povo.”

Guevara convocou os oposicionistas a um ato de repúdio à sua dissolução na sede do Parlamento, que funciona no mesmo prédio da Constituinte. Ele disse que o corpo diplomático acreditado em Caracas foi convidado a participar do ato.

Em nota, o Mercosul condenou “a decisão da Assembleia Constituinte de usurpar atribuições da Assembleia Nacional da Venezuela, que foi eleita democraticamente pela maioria dos venezuelanos e é a única e exclusiva titular do Poder Legislativo naquele país”.

EXAME consultou a assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores sobre se a embaixada brasileira enviaria representante. Mas o Itamaraty estava avaliando, e até o fim da tarde de sexta-feira, não havia respondido.

O embaixador Ruy Pereira e o conselheiro José Solla estão no Brasil, mas poderia ir o encarregado de negócios no país, ministro João Marcelo de Aguiar Teixeira.

Depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff, que apoiava incondicionalmente o regime venezuelano, o Brasil passou a ter uma posição crítica em relação ao chavismo, e liderou o processo de suspensão da Venezuela do Mercosul, denunciando ruptura da ordem democrática no país vizinho.

O embaixador Ruy Pereira, no entanto, indicado por Dilma, tem uma boa interlocução com o governo em Caracas. Com a destituição definitiva de Dilma, em 31 de agosto do ano passado, a Venezuela retirou seu embaixador em Brasília, Alberto Castellar. Seguindo a regra da reciprocidade, o Brasil também chamou de volta seu embaixador.

Pereira reassumiu o posto em 5 de julho, embora a embaixada venezuelana continue acéfala. Como líder regional, o Brasil aspira a mediar uma eventual negociação entre governo e oposição, e por isso tem evitado romper com a Venezuela.

Pouco antes da leitura do decreto, a presidente da Constituinte, Delcy Rodríguez, alegou que o órgão havia convidado na véspera a Assembleia Nacional a participar da sessão de sexta-feira, mas a direção do Parlamento recusara.

“Aí está a resposta da direção opositora: seguir desconhecendo a vontade do povo da Venezuela, pela paz, pela independência nacional e a tranquilidade pública”, criticou Rodríguez, que deixou o cargo de chanceler em julho para se candidatar à Constituinte, e foi descrita pelo presidente Nicolás Maduro como “tigre em defesa do socialismo”. Ao lado do próprio presidente, a ex-chanceler foi a que atacou com mais agressividade o governo de Michel Temer, acusando-o de “golpista”.

Para Rodríguez, a Constituinte “não é uma convivência para fazer caretas à direita venezuelana, mas para lhes ensinar de uma vez que o povo manda na Venezuela e que se deve respeitar sua vontade”. E acrescentou: “Chegou a Constituinte para pôr ordem, trazer benefícios ao povo da Venezuela e felicidade a nosso país.”

Entre o discurso e a realidade

Pouca gente acredita que ela o fará, mas bem que o país está precisando. Quando comparados consigo mesmos, países sob regimes ditatoriais costumam ter índices de criminalidade mais baixos do que quando usufruem das liberdades democráticas. A falta de direitos civis, a brutalidade e o controle policiais acabam inibindo bandidos comuns. Não é assim na Venezuela, cujo caos institucional e econômico criou um ambiente no qual a violência do Estado e a dos criminosos comuns se confundem.

Os venezuelanos aprenderam a não registrar queixa na polícia quando são assaltados, para não correr o risco de serem extorquidos e roubados de novo na própria delegacia. E se acostumaram com episódios bizarros.

Um capitão da truculenta Guarda Nacional Bolivariana (GNB), encarregada de reprimir as manifestações oposicionistas, foi flagrado esta semana no Estado de Falcón, junto com seis funcionários da companhia elétrica Corpoelec, roubando fios da rede, com ajuda de um caminhão da empresa.

Índios da aldeia White Water, na Guiana, perto da fronteira com a Venezuela, denunciaram que soldados venezuelanos roubaram sua comida. Os soldados justificaram que estavam com fome, pois não recebiam mantimentos havia 45 dias.

Nesse cenário composto pelo pior de dois mundos — Estado policial e desmoralização da autoridade —, o massacre de 37 presos no Estado do Amazonas, na quarta-feira, aprofundou a politização da violência. O governador do Estado, Liborio Guarulla, que é de oposição, acusou efetivos da Unidade Especial do Ministério da Justiça de invadir o presídio de Puerto Ayacucho e cometer a matança.

Já o ministro da Justiça, general Néstor Luis Reverol, um dos 13 funcionários do governo alvos de sanções dos Estados Unidos, responsabilizou o governador, uma vez que o presídio está sob administração estadual. Ele disse que soldados do Exército e da Guarda Nacional invadiram a prisão para debelar um motim, e foram recebidos com mais de 20 granadas e fuzis. Quinze soldados ficaram feridos, antes de abrir fogo e matar 37 dos 105 presos.

O Amazonas esteve no epicentro da ruptura da ordem institucional na Venezuela. No final de março, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) assumiu os poderes da Assembleia Nacional por não obedecer uma ordem de destituir três deputados do Estado, que supostamente teriam sido eleitos de forma irregular.

A procuradora-geral, Luisa Ortega, considerou a ação inconstitucional, marcando a ruptura dela com os chavistas, que a nomearam em 2007. O Tribunal recuou. Mas começou a nova onda de manifestações, que já deixou 152 mortos, e o regime convocou à eleição da Assembleia Constituinte, para substituir a AN.

Antes do decreto da sexta-feira, a presidente Delcy Rodríguez já havia declarado que todos os poderes do país estavam subordinados à Constituinte.

A repressão cresce 

A partir de sua instalação, no dia 4, intensificou-se a repressão aos oposicionistas. Diosdado Cabello, vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela e uma das figuras mais poderosas do regime, apresentou uma denúncia perante o TSJ contra o deputado Germán Ferrer, marido da procuradora-geral. Em seguida, o tribunal emitiu ordem de prisão do deputado e o apartamento do casal foi alvo de uma operação de busca e apreensão do temido Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), a polícia política. Os agentes levaram dois computadores, impressoras e várias maletas. O casal não estava em casa, mas a empregada foi detida.

“Neste momento a Sebin invade minha casa como parte da vingança desse governo por lutar contra o totalitarismo que existe na Venezuela”, tuitou a procuradora-geral, que considerou inconstitucional a eleição da Constituinte, cuja convocação segundo ela deveria ter sido aprovada em referendo. “Desta forma é que o governo de Maduro e Cabello pretendem acabar com nossa luta pela democracia e a liberdade dos venezuelanos.”

A Constituinte destituiu Ortega, e nomeou em seu lugar o chavista Tarek Saab. O novo procurador-geral acata integralmente as acusações de Cabello, e as encaminha ao presidente do TSJ, Maikel Moreno, que sempre atuou dessa forma também. Foi assim com o procurador Pedro Lupera, que investigava as delações da Odebrecht sobre propina para funcionários do governo venezuelano. A pedido de Cabello, o procurador não só foi destituído, como é alvo de uma ordem de prisão.

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, publicada no dia 30, a procuradora-geral disse que a Odebrecht pagou 30 milhões de dólares em propinas a funcionários venezuelanos, em troca dos contratos de 11 grandes obras de infraestrutura, que não foram concluídas.

A Constituinte ameaçava retirar a imunidade parlamentar de Ferrer. É provável que considere isso desnecessário, depois de assumir os poderes da Assembleia Nacional. O presidente da AN, Julio Borges, declarou que a ação contra o deputado “não existe, é nula”, e que o fato seria denunciado perante o alto comissário dos Direitos Humanos da ONU e a União Interparlamentar Mundial.

Borges e outros líderes oposicionistas serão investigados pela Comissão da Verdade. Criada por decreto de Maduro e implementada pela Constituinte, a Comissão vai investigar “as causas do terrorismo”, que é como o regime qualifica as manifestações da oposição.

Enquanto as instituições disputam poder e legitimidade, os venezuelanos seguem lutando pela sobrevivência. E para isso recorrem a seus instintos mais selvagens. No último ano, dez animais foram roubados do Zoológico de Maracaibo, capital de Zulia, o Estado mais rico do país.

Segundo os funcionários, os ladrões vendem a carne, alimento raro e cobiçado no país. No último roubo, foram levados uma anta, um búfalo e um porco-do-mato. É a lei da selva.

O dilema da guerra das estátuas

A história da Guerra Civil Americana está vivendo mais um capítulo, escreve Vilma Gryzinski na edição impressa de Veja:


Pode não ser justo, mas é quase inevitável avaliar o passado pelos padrões do presente e usar o presente para reescrever o passado. De muitas maneiras, é isso que está acontecendo nos conflitos em torno dos monumentos e lugares públicos que homenageiam os vencidos na Guerra Civil americana. No destino da estátua do general Robert E. Lee, o maior de todos os vencidos, é projetada uma briga muito atual: quem fala em nome da maioria dos americanos.

Certamente não os supremacistas brancos nem os black blocs que se espancaram em Charlottes­ville, embora representem versões maniqueístas da opinião do resto do país. Para os primeiros, interessa usar a queda da estátua do general que comandou o exército dos onze estados secessionistas do Sul como uma ofensa brutal a todos os brancos ame­ricanos que, pelos princípios da repugnante causa que defendem, consideram superiores e ameaçados. Para os segundos, derrubar o monumento é uma etapa da luta contra um “sistema” injusto. Incluindo, evidentemente, o regime democrático que, com todas as suas imperfeições, permitiu aos americanos superar uma guerra fratricida, com 650 000 mortos, entre 1861 e 1865.

Uma das maneiras de acomodar vencedores e vencidos foi deixar que estes cultivassem a narrativa da Causa Perdida. Nesta, a secessão e a guerra, motivadas primordialmente para manter o sistema escravocrata que existia no Sul, transmutaram-se numa causa nobre, idealista e tragicamente fadada à derrota pela inferioridade numérica. Robert E. Lee, o patrício que assinou a rendição a seu ex-camarada de Exército, o menos elegante e futuro e pouco inspirado presidente Ulysses S. Grant, tornou-se alvo de veneração. A bandeira confederada eternizou-se nas varandas, em instituições públicas e nas jaquetas dos motoqueiros. Como a história é sempre mais complicada, Lee não foi inteiramente um nobre e galante herói nem inteiramente um brutal vilão escravocrata.

Em 17 de junho de 2015, quando Dy­lann Roof, um loiro de franjinha adepto do supremacismo, entrou numa igreja evangélica de Charleston e matou nove pessoas porque eram negras, a acomodação sofreu um sobressalto. A governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley, decidiu tirar da sede do governo a bandeira confederada. Na época, 57% dos americanos diziam que a bandeira é um símbolo do orgulho sulista e não de racismo.

Hoje, Nikki Haley, filha de indianos, é embaixadora na ONU. Defende com equilíbrio e eloquência posições da direita tradicional. Mora na residência oficial relacionada a seu cargo, no 42º andar do hotel Waldorf Astoria, em Nova York. Dylann Roof ocupa uma cela numa prisão federal em Indiana. Foi condenado à morte. A estátua do general Lee continua no parque de Charlottesville. Poderia ser melhor para os americanos se todos permanecessem onde estão, no tempo da política, da justiça e das estátuas. A complicação: como não deixar parte da população com o sentimento de que sua história está sendo expurgada ou outra com a sensação de que a celebração do passado implica validação de princípios que de­veriam estar sepultados?

A comunista Vanessa mente: o tríplex é de Lula.



Em vídeo, e na maior cara de pau, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) tenta enrolar o espectador sobre o tríplex do Guarujá. Dessa gente, só se pode esperar "fake news". Post de Augusto Nunes:


Na madrugada desta quinta-feira, milhares de brasileiros foram surpreendidos com um vídeo disseminado pelo WhatsApp que mostra a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) comentando o caso do triplex de Lula no Guarujá enquanto lê uma notícia no computador. “Olá, gente, eu estou aqui na página do UOL, lendo a coluna do Fernando Rodrigues, onde ele publicou há poucos instantes uma matéria cujo título é Polícia Federal conclui relatório da fase Triplo X e indicia dona do triplex do Guarujá“, diz a comunista instalada no Amazonas com ares e óculos de professora de matemática do ensino fundamental. “Aquele triplex que a imprensa deu de uma forma muito repetida em todos os telejornais, todos os jornais, dizendo que seria de propriedade do ex-presidente Lula e de sua família e que ele teria ganho de uma grande empreiteira envolvida na Lava Jato”.

Ela solta um irônico “pois bem” antes de continuar a aula, olhando ora para a câmera, ora para a tela. “Essa fase da operação Lava Jato, Triplo X, ela foi deflagrada no dia 27 de janeiro desse ano e agora, na última sexta-feira, dia 12 de agosto, o inquérito foi concluído e o relatório final entregue à Justiça Federal. E hoje, exatamente hoje, o juiz Sergio Moro determinou a publicação do relatório na sua íntegra, aqui na coluna de Fernando Rodrigues tem o link, que todos que têm interesse podem buscar e abrir o link”. Como se verá a seguir, Vanessa esqueceu de seguir a própria sugestão.

“O que é importante destacar, gente, é o resultado e a conclusão da Polícia Federal”, ressalta. “Que o ex-presidente Lula, sua família, não são proprietários desse triplex. Ele pede o indiciamento de várias pessoas, todas elas ligadas a empresa Mossack Fonseca do Brasil, e entre essas pessoas a senhora Neuci Warken, que era chefe do escritório e ela admitiu ser a verdadeira proprietária desse triplex”.

Em seguida, Vanessa apresenta a própria conclusão: “O que nós esperamos agora é que a imprensa brasileira divulgue com tanta ênfase que divulgou a suspeita de que esse imóvel seria de propriedade do ex-presidente Lula, agora divulgue também, com muita intensidade e com muitas repetições, a notícia da conclusão do relatório da Polícia Federal, que isenta o ex-presidente Lula das acusações. Então, gente, isso fica claro que havia, e há ainda, uma grande trama, um complô, para tentar desgastar o ex-presidente Lula perante a opinião pública. Mas o que a gente sempre diz: a verdade tarda, mas não falha”.

Encerrada a colisão frontal com a verdade, vamos aos fatos.

O vídeo foi gravado em agosto de 2016 e não em agosto de 2017, como acreditaram muitos daqueles que ampliaram a divulgação. Só isso basta para desmontar a fantasia protagonizada por Vanessa, mas as coisas não param por aí. Embora tenha sido publicada por Fernando Rodrigues, em 18 de agosto de 2016, uma reportagem com o título Polícia Federal conclui relatório da fase Triplo X e indicia dona do triplex do Guarujá, em nenhum momento se lê no texto que o triplex em questão é o de Lula. Neuci Warken, realmente indiciada pela PF, admitiu ser dona “de um triplex no edifício Solaris” e não “do” triplex, como Grazziotin faz questão de enfatizar.

Para evitar interpretações como a difundida pela senadora, Fernando Rodrigues ainda publicou um adendo no fim da reportagem quatro dias depois: “Como informa a reportagem, as supostas irregularidades envolvendo o ex-presidente Lula continuam sob apuração em outro procedimento de investigação, que também tramita na 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba (PR)”, alertou o jornalista. “Nelci Warken admitiu ser a verdadeira dona de um tríplex (o 163-B), que estava em nome de uma empresa offshore. Já o tríplex atribuído à família do ex-presidente Lula é o 164-A, no mesmo edifício”.

Em 12 de julho deste ano, ao julgar o caso do triplex do Guarujá, o juiz Sergio Moro condenou Lula a 9 anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Não circulou pelas redes sociais nenhum vídeo de Vanessa Grazziotin comentando a sentença.

Cuidado, não pense antes de agir.

"Não se preocupem com o vale de lágrimas que estão vendo e ouvindo. Pelo menos por enquanto, as reformas trabalhista e previdenciária serão como a viúva Porcina – aquela que foi sem nunca ter sido". Do professor Bolívar Lamounier, publicado no Estadão:


Nós, brasileiros, somos mesmo um prodígio. Não contentes em acreditar que Deus é brasileiro, somos também propensos a nos vermos como um povo divino.

É certo que isso mudou de uns anos para cá, mas até poucas décadas atrás estávamos seguros de que iríamos usufruir de todas as coisas boas do mundo, naturalmente, sem grande esforço. Chego mesmo a pensar que aquele antigo otimismo ainda está por aí, disfarçado, só esperando a tempestade passar. Cedo ou tarde, o Deus brasileiro, a “mão invisível” ou, mais provável, um miraculoso “projeto nacional” nos libertará dessa angústia passageira que estamos vivendo.

A hipótese que venho de enunciar ajuda a compreender quão simplórias e confusas têm sido as ideias a que recorremos para enfrentar os desafios com que sucessivamente nos deparamos. Tudo se passa como se, no fundo de nossa mente, houvesse uma voz sempre a nos dizer: “Faça o que quer, não acredite no que está vendo ou ouvindo”. Ou, de uma forma mais taxativa: “Não pense antes de agir”.

Uma vista d’olhos no passado recente evidenciará a utilidade da hipótese que venho de enunciar para a compreensão da política brasileira. Duas ou três décadas atrás, era voz corrente que havíamos aprimorado o sistema presidencial de governo. Admitindo que governar com duas dúzias de partidos na Câmara era difícil, criáramos o “presidencialismo de coalizão”, um verdadeiro ovo de Colombo: bastava aquinhoá-los com ministérios e cargos, de uma forma mais ou menos proporcional; em troca, eles dariam ao Executivo todo o apoio de que ele necessitasse. Saía meio caro, mas compensava. Decorrida uma década, surgiram dúvidas; decorrida mais outra, concluímos que o ovo funcionava ao contrário do pretendido. Todas as dificuldades decorriam do “presidencialismo de coalizão”. Ele é que seria o mal dos males. Mas como poderia o nosso presidencialismo não ser de coalizão, se nossos partidos se multiplicam como coelhos, a tal ponto que nenhum consegue sequer 20% das cadeiras na Câmara? Todos os deputados então aquiesceram que aí havia realmente uma dificuldade. Urgia realizar uma reforma política a fim de frear a proliferação de partidos (até porque a maioria deles era sabidamente de araque). Adentramos, então, o labirinto das providências refreadoras: fim das coligações nas eleições legislativas, cláusula de barreira, voto distrital puro, voto distrital misto, etc., etc. E subitamente fomos parar – vejam os senhores que coisa extraordinária – no “distritão”, uma jabuticaba à altura de um povo que se vê como parte da divindade.

Outro dia me imaginei numa conversa imaginária com um dos adeptos desse sistema. Perguntei o que o levava a crer que o “distritão” reduziria o número de agremiações. Ele estufou o peito e me respondeu, com ar de notável convicção: “Elementar, Watson. O distritão liquidará todos eles. Os 26 hoje representados na Câmara serão reduzidos a zero. CQD”. Não me dei por achado. Voltando à carga, disse-lhe que, a meu juízo, atualmente só existe um partido: o PPSB – Partido dos que Pleiteiam Subsídios e Benesses. Com isso ele concordou: “Assim é, se lhe parece”, e lá se foi, apreciando seu cachimbo.

Com o dedo em riste, ordenei à voz que trazia na mente que se calasse e me perguntei se o que agora estamos fazendo sem pensar por acaso remontaria a alguma outra coisa que fizemos da mesma forma, isto é, sem pensar. É claro que sim. Tempos atrás, proibimos a participação de empresas no financiamento de campanhas eleitorais. E, convenhamos, que outra providência se poderia esperar de um país movido por um sincero e sempre renovado desejo de moralizar a política? É certo que havia um pequeno problema, mas para que servem os deputados e juristas senão para resolver pequenos problemas?

Qualquer cidadão que tenha deslizado o dedo indicador sobre as compilações do IBGE a respeito da distribuição da renda pessoal terá facilmente concluído que suprimir pura e simplesmente o financiamento empresarial inviabilizaria praticamente as contendas eleitorais. Outro problema de fácil solução: pegamos um bom naco do erário, apresentamo-lo como um fundo destinado a aprimorar nossas práticas democráticas e pronto! Pronto, nada!, terá a voz dito a algum deputado. “Assim, a frio, a opinião pública não vai digerir esse fundo. Precisamos acoplá-lo a uma reforma política profunda, meditada, abrangente.” Mas não seria mais simples voltarmos à mãe de todos os equívocos – a lei que proibiu o financiamento público – e alterá-la, instituindo registros online e tetos, ou seja, controles severos e transparentes?

Deve ser por essas e outras que o Brasil vai de vento em popa, mesmo admitindo que o vento não passe de uma suave brisa. Um século atrás acreditávamos que um país como o nosso, livre de tornados e vulcões, com um vasto território e uma inigualável dotação de recursos naturais, seria necessariamente o “país do futuro”. A essas condições básicas houve quem acrescentasse nossa índole pacífica, ou seja, o fato de a brandura de nossas relações sociais e raciais e a ausência de dissensões religiosas terem afastado em definitivo a hipótese de conflitos destrutivos entre o capital e o trabalho. Se tudo isso falhasse, tínhamos ainda um hedge colossal: a aceleração do crescimento econômico, sob a égide de um impecável sistema de planejamento.

Portanto, meus caros leitores e leitoras, não se preocupem com o vale de lágrimas que estão vendo e ouvindo. Pelo menos por enquanto, as reformas trabalhista e previdenciária serão como a viúva Porcina – aquela que foi sem nunca ter sido. Certo impacto a corrupção pode até causar no sistema político, mas fiquemos frios. Vamos agindo, passo a passo, e deixemos o pensamento para depois.

O humor nunca é tão negro quanto o futuro

O humor corrosivo de Alberto Gonçalves, colunista do Observador: "para os distraídos, estamos a falar de gente com credibilidade idêntica à de um astrólogo (com ofensa aos astrólogos). São anti-fascistas que professam o comunismo ou participam com zelo num regime influenciado por comunistas. São feministas que se borrifam para a humilhação das mulheres ciganas. São democratas que aplaudem o regime venezuelano. São lobistas “gay” que se apaixonam pela Palestina. São ecuménicos que abominam as religiões ocidentais. São opositores do racismo que compreendem os racistas do islão. São indignados com a xenofobia que insultam os espanhóis e os alemães e os ingleses que nos visitam e sustentam a nossa reles economia. Ainda assim, procurar calar essa gente seria imitar-lhe os princípios. O que interessa é recusar que, à conta da intimidação, essa gente nos cale a nós:


Um alegado humorista, que sinceramente desconheço, escreveu algures uma graçola sobre a “xenofobia” de Pedro Passos Coelho e a doença da mulher dele. Num ápice, inúmeras pessoas, muitas das quais tenho por decentes, lançaram-se para as inevitáveis “redes sociais” a insultar o alegado humorista, a providenciar-lhe publicidade gratuita e, em certos casos, a tentar, sem dispôr dos meios, reproduzir os métodos usados pela oligarquia para silenciar dissidências.

É verdade que, à semelhança de diversos colegas, o alegado humorista é pelos vistos avençado da oligarquia. É verdade, segundo li, que é pago pelos contribuintes por umas rábulas de revista na rádio pública. E é verdade que bater em Pedro Passos Coelho, inclusive pelas razões mais absurdas, talvez lhe confira créditos junto dos respectivos chefes. Mas também é verdade que criaditos do poder não faltam, que os contribuintes pagam à força o salário a multidões de matarruanos (mesmo descontando os familiares do prof. dr. Carlos César) e que a voracidade com que idiotas sortidos decretam a irrelevância de Pedro Passos Coelho é proporcional ao pavor que, com ou sem motivo, este teimoso indivíduo lhes inspira.

O que importa, em todo o insignificantíssimo episódio, é o facto de o alegado humorista ter o direito de se aliviar das atoardas de que gosta e a chatice de ouvir de volta atoardas de que não gosta – pretender o contrário é próprio da esquerda que o moço serve. A liberdade de expressão – cansa repetir – inclui a liberdade de se exprimirem coisas que nos são repulsivas, maçada que vale para piadas de oncologia, referências ao dialecto do dr. Costa ou manifestações contra “minorias”. Os recentes acontecimentos em Charlottesville, Virgínia, são um exemplo adequado.

Por grotesco que pareça, os “supremacistas brancos” deviam ser livres de berrar as alucinações que os embalam sem se verem importunados, ou publicitados, por “activistas” diversos, para cúmulo possuídos por aversões similares: ao capitalismo, às multinacionais, aos judeus, ao “sistema”, ao que calha. Calhou de discordarem acerca de alguns dos “grupos” a combater, e é pena. Unidos, ambos os gangues conciliariam a vontade vã de uns em expulsar os seus ódios de estimação do território americano com o esforço consumado dos outros em expulsar os seus ódios de estimação das universidades americanas. E prosperariam enfim.

Em abono do rigor, o totalitarismo já prospera, obrigadinho. Nos EUA e aqui, criaturas radicalmente desprovidas de utilidade teimam em vigiar a linguagem e decretar os limites do “admissível”. E, cá como lá, a sanha persecutória é menos consequente nos supremacistas brancos do que nos vermelhos. Ninguém se incomoda com insultos a europeus ou a cristãos. Porém, dia após dia, surge um “escândalo” alusivo ao que X disse da maravilhosa “cultura” cigana, ou ao que Y disse da “comunidade LGBTQRONVS§#™‰*$”, ou ao que Z pensou em dizer do prodigioso governo que nos ilumina. É estranho um mundo onde os beatos do Bloco ou a namorada do ex-presidiário Sócrates se sentem habilitados a julgar – e se esgadanham para castigar – as opiniões alheias. Ou, dado que a deturpação é abundante, a amálgama de mentiras em que transformam as opiniões alheias.

Para os distraídos, estamos a falar de gente com credibilidade idêntica à de um astrólogo (com ofensa aos astrólogos). São anti-fascistas que professam o comunismo ou participam com zelo num regime influenciado por comunistas. São feministas que se borrifam para a humilhação das mulheres ciganas. São democratas que aplaudem o regime venezuelano. São lobistas “gay” que se apaixonam pela Palestina. São ecuménicos que abominam as religiões ocidentais. São opositores do racismo que compreendem os racistas do islão. São indignados com a xenofobia que insultam os espanhóis e os alemães e os ingleses que nos visitam e sustentam a nossa reles economia. Ainda assim, procurar calar essa gente seria imitar-lhe os princípios. O que interessa é recusar que, à conta da intimidação, essa gente nos cale a nós.

Pedro Passos Coelho foi criticado por criticar uma lei perigosa, a que permite a permanência em Portugal a estrangeiros cadastrados ou, cito a expressão que suscitou o pânico, a “qualquer um”. Agora, em Barcelona, confirmou-se pela enésima vez aquilo de que “qualquer um” é capaz. Os gritos de “racismo” dirigidos ao líder do PSD não se distinguem das afirmações de valentia e dos apelos à fraternidade universal exibidos após cada atentado. Trata-se, na melhor das hipóteses, da cedência infantil a clichés. Na pior, é má-fé, e o som de uma civilização a entregar-se, deliberada e jovialmente, ao próprio fim. Haverá um humorista a sério para brincar com isto?

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Outra da tirana Dilma: aposentadoria irregular.

Dilma, a bolivariana que destruiu a economia do país, envergonha os brasileiros falando mal do país lá fora. Agora se sabe que aprontou outra, extremamente grave e igualmente vergonhosa: sua aposentadoria é irregular. Além de ter furado a fila dos servidores, foi aposentada sem apresentar todos os documentos exigidos de outros funcionários. Com petista é assim: falcatrua até na hora da saída:


Na manhã de 1 de setembro de 2016, o ex-ministro da Previdência Carlos Gabase uma secretária pessoal da ex-presidente Dilma Rousseff entraram pela porta dos fundos de uma agência da Previdência na Asa Sul, em Brasília. No dia anterior, o Senado havia formalmente cassado o mandato de Dilma Rousseff. Gabas, já ex-ministro do moribundo governo petista, chamou a atenção dos funcionários da agência ao surgir na porta e logo se isolar na sala do chefe da agência. O que o ex-ministro da Previdência faria ali? Vasculhando o sistema do INSS, um grupo de servidores logo descobriu algo errado: no intervalo de poucos minutos que o ex-ministro e a secretária de Dilma estiveram na agência, o processo de aposentadoria da ex-presidente foi aberto no sistema e concluído sigilosamente. Graças ao lobby de Gabas e a presença da secretária, que tinha procuração para assinar a papelada em nome da petista, em poucos minutos, Dilma deixou a condição de recém-desempregada para furar a fila de milhares de brasileiros e tornar-se aposentada com o salário máximo de 5 189 reais. Ao tomar conhecimento do caso, o governo abriu uma sindicância para investigar a concessão do benefício.

Nesta sexta-feira, VEJA obteve as conclusões dessa investigação. No momento em que o PT trava uma luta contra a reforma da previdência, os achados da sindicância não poderiam ser mais desabonadores à ex-presidente petista. Segundo a investigação, aposentada pelo INSS desde setembro do ano passado, Dilma Rousseff foi favorecida pela conduta irregular de dois servidores do órgão que manipularam o sistema do INSS para conseguir aprovar seu benefício e ainda usaram influência política para conseguir furar a fila de benefícios. Despacho assinado pelo ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, aplica punições ao ex-ministro Carlos Gabas, responsável por Dilma ter furado a fila do INSS, e à servidora Fernanda Doerl, que manipulou irregularmente o sistema do INSS para regularizar o cadastro da petista.

Por ter usado da influência de ex-ministro da Previdência para furar a fila de agendamentos do INSS a fim de acelerar o processo de aposentadoria de Dilma, Carlos Gabas foi suspenso do serviço público por 10 dias. Servidor de carreira do órgão, Gabas está cedido para o gabinete do petista Humberto Costa (PE), líder da minoria no Senado. Com a punição assinada pelo ministro Osmar Terra, ele não poderá trabalhar nesse período e terá o salário descontado em folha. “As apurações demonstraram que as ações do indiciado (Gabas) contribuíram para agilizar a concessão do benefício, assegurando seu deferimento em condições mais favoráveis ou benéficas que o usual”, registra o relatório final da sindicância: “O servidor atuou como intermediário junto à repartição pública, fora das exceções permitidas em lei, em atitude incompatível com a moralidade administrativa”, complementa

Examinando a papelada apresentada pela ex-presidente Dilma Rousseff ao INSS e os procedimentos adotados pela servidora no sistema do órgão, os integrantes da sindicância concluíram que Fernanda Doerl considerou, para efeitos de cálculo de tempo de serviço de Dilma, informações que a ex-presidente não comprovava com documentos. Como todo brasileiro que procura o balcão dos mortais no INSS costuma aprender de maneira dolorosa, não ter documentos é uma falha que inviabiliza a concessão de aposentadoria. Para Dilma, no entanto, isso não foi um problema. O cadastro de Dilma foi aprovado em um dia mesmo sem contar com todos os papeis necessários. “A não observância à norma legal e regulamentar nos autos presentes, foi materializada na medida em que se deixou de exigir documentação necessária para a alteração cadastral da segurada Dilma Vana Rousseff”, diz a sindicância. Para se ter uma ideia do favorecimento que Dilma teve, dados do INSS mostram que os brasileiros que estão com toda a documentação regular esperam pelo menos 90 dias — entre apresentação e a concessão — para obter o benefício. Números atualizados nesta semana mostram que pelo menos 400 000 brasileiros estão com processos de aposentadoria represados no INSS nessa situação.

Segundo o regulamento do INSS, ao verificar que a papelada de Dilma Rousseff estava irregular, a servidora do INSS deveria ter se recusado a proceder com o benefício. Aos constatar as falhas, Fernanda Doerl, que levou a pena de advertência por não ter atuado com “zelo”, “dedicação” e sem “observar as normas legais” no episódio, tinha a obrigação, diz a sindicância, de “alertar (Dilma) acerca das impropriedades e que o seguimento do pleito só se daria a partir da apresentação, por completo, de todo o contexto documental exigido e necessário”.

Ironicamente, apesar de apontar irregularidades e reconhecer condutas impróprias no caso dos servidores, a sindicância justifica as penas brandas aplicadas alegando que não verificou “intenção clara” dos investigados em beneficiar Dilma Rousseff. Já sobre a própria ex-presidente a sindicância limita-se a cobrar a devolução de 6 188 reais, referentes a um mês de salário que teria sido pago irregularmente pelo INSS. Apesar da concessão irregular de aposentadoria por falta de documentos, a sindicância constatou que o valor do benefício da petista é compatível com o determinado. Dilma Rousseff está recorrendo para não ter que devolver o dinheiro.

Para justificar a aplicação de advertência a Fernanda Daerl, os integrantes da sindicância registram que a servidora, embora tenha atuado de maneira displicente, não agiu de má-fé. “Foram demonstrados o descumprimento das normas regulamentares e a falta de zelo da servidora. Por outro lado, não há qualquer indício de que tenha havido má-fé da servidora. Não houve qualquer contato indevido entre a indiciada e a segurada (Dilma) ou qualquer preposto seu”, registra o relatório. Já Gabas, teve a punição atenuada por ter “bom comportamento e bons antecedentes” enquanto servidor.

Ao prestar depoimento na sindicância, Gabas negou que tivesse favorecido Dilma Rousseff ao cuidar pessoalmente do processo na agência da Previdência em Brasília. Gabas alegou aos investigadores que “o atendimento diferenciado de pessoas públicas era comum e tinha o objetivo de assegurar a integridade física e moral dos demais segurados”. Já Fernanda Daerl sustentou durante todo o processo que agiu de acordo com a lei e que se guiou por normas do INSS para aprovar os dados cadastrais de Dilma. (Veja.com).

O que move o terrorismo islâmico? O ódio ao Ocidente, à sociedade livre e aberta.

"Por que nos matam em Barcelona?", pergunta-se Ricardo Angoso em artigo publicado no Blog de Montaner. O fio condutor do terrorismo, responde ele próprio, é o ódio ao Ocidente, que acolheu em suas lares autênticos assassinos, os integristas islâmicos. Os terroristas odeiam as liberdades do Ocidente, o progresso, os direitos humanos. São contra as sociedades livres e abertas. "Têm um rancor de séculos, que alimentam com sua miséria intelectual e moral":


Las matanzas contra los ciudadanos occidentales, que comenzaron en Nueva York en el 2001 y que continuaron con su estela sangrienta en Madrid, Londres, París, Bruselas, Berlín, Niza, Manchester y tantos otros lugares, tienen un hilo conductor: el odio de los islamistas más radicales hacia Occidente. Hoy fue Barcelona, mañana quién sabe donde atacará el terrorismo islamista.

“¡Welcome refugees!”, colocaban en sus balcones los ayuntamientos de extrema izquierda en Barcelona y Madrid. Abrieron sus puertas sin mirar a quien entraba y acogieron con los brazos abiertos a miles de integristas islámicos. Las consecuencias a la vista están. Ahora millones de ciudadanos inocentes pagamos por sus errores, por sus demenciales políticas de acoger en nuestras casas a auténticos asesinos. Los que ayer atentaron en Barcelona y causaron varios muertos y decenas de heridos son nuestros vecinos, no busquen lejos de sus fronteras, los tenemos dentro. Son la quinta columna del odio a Europa y sus valores: los integristas musulmanes. Nos odian y nos odiarán siempre. Somos sus enemigos, ni más ni menos.

En definitiva, la inquina y el desprecio del Islam más brutal, con todas sus arcaicas ideas y retrógrados principios, es hacia la Europa de las libertades, el progreso y los Derechos Humanos. Nos matan porque nos odian, nos odian porque no pueden aceptarnos libres y viviendo en armonía pacífica con nuestros vecinos. Es una guerra santa declarada del integrismo más intransigente, racista y vetusto contra la Europa de las luces y la razón, pero también contra aquellos que en otras latitudes del mundo se inspiraron en estas ideas para construir sociedades libres y abiertas. Tienen un rencor de siglos que alimentan con su miseria intelectual y moral.

El terrorismo islámico no tiene límites

No aceptarán nunca que vivamos en sociedades libres, donde las mujeres pueden votar, pasear libremente sin llevar un burkah y sin pedir permiso a sus maridos; no aceptarán nunca que hombres y mujeres de todas las condiciones y colores sean iguales y pueden tener los mismos derechos. No nos perdonarán nunca que no colguemos a los gays en grúas, tal como hacen en la progresista Irán que, por cierto, financia a grupos de izquierda como Podemos y regímenes abyectos como el de Nicolás Maduro. O, simplemente, que no arrojemos a las adulteras o a los homosexuales desde un quinto piso para que después una turba –no merece otro nombre- de buenos musulmanes los remate a pedradas, siguiendo las rancias tradiciones islámicas que en nombre del Profeta se “instalaron” en los territorios bajo la férula del autodenominado Estado Islámico.

Nos matan porque bebemos alcohol, porque no aceptamos quedarnos en la Edad Media, porque nos gusta la música, porque bailamos, tocamos el piano y porque nos negamos a aceptar vivir en regímenes teocráticos que viven anclados en la prehistoria. Ellos queman los vinilos, destruyen las radios, queman los libros prohibidos, casi todos, todo hay que decirlo, y se irritan con cualquier cosa que huela a tolerancia, progreso y libertad. Son los nuevos nazis, los bárbaros del siglo XXI que matan a los cristianos, degüellan a los infieles y miran hacia la Meca sin olvidar que su objetivo final es destruir esta Europa democrática, plural, librepensante y sustentada en esos valores fundamentales de la revolución francesa que se ganaban a sangre y fuego en las calles al grito de “¡Libertad, Igualdad y Fraternidad!”. Eso, a esos miserables asesinos, les suena a chino y alimentan su odio con nuestra sangra, muerte y dolor.

Odian a Occidente

Este odio y este rechazo hacia nosotros, porque por eso nos están matando, ya lo definía muy gráficamente hace años la fallecida periodista italiana Oriana Falacci: “Para comprenderlo –el odio- basta mirar las imágenes que encontramos cada día en la televisión. Las multitudes que abarrotan las calles de Islamabad, las plazas de Nairobi, las mezquitas de Teherán. Los rostros enfurecidos, los puños amenazadores, las pancartas con el retrato de Bin Laden, las hogueras que queman la bandera americana y el monigote de George Bush. Quien en Occidente cierra los ojos, quien escucha los berridos Allah-akbar, Allah-akbar”.

Nos matan porque somos seres impuros ante sus ojos. Nos matan porque nos consideran inferiores, pecadores, merecedores de la muerte y porque no somos dignos de pertenecer a su fanática secta. Nos matan porque somos hombres de bien que aceptamos a las mujeres como son y porque no tenemos problemas en tener amigos gays. A sus ojos, claro, somos impuros y lo seremos de por vida, tal como bien explica la ya citada Fallaci: “En cuanto a los que se arrojaron contra las Torres y el Pentágono, los juzgo particularmente odiosos. Se ha descubierto que su jefe Muhammad Atta dejó dos testamentos. Uno que dice: “En mis funerales no quiero seres impuros, es decir, animales y mujeres”. Otro que dice: “Ni siquiera cerca de mi tumba quiero seres impuros. Sobre todo los más impuros de todos: las mujeres embarazadas”.

¿Se puede estar más locos, se pueden abrazar ideas más medievales que las que abrigan estas gentes en su interior? Realmente los que estamos locos somos nosotros por haber aceptado y tolerado este pensamiento aborrecible en nombre de una supuesta moral democrática y unas ideas de tolerancia que nada tienen que ver con la defensa firme de las libertades y los valores fundamentales del hombre. Pero la peor parte se la lleva la izquierda, que siempre calla, asiente y pide respeto a estos energúmenos, a estos asesinos sin piedad, mientras consiente y tolera que miles de cristianos sean asesinados en el mundo árabe y Africa por esta gentuza sin escrúpulos. Los musulmanes de Europa exigirán cada vez más, pues ellos no piden ni negocian sino que exigen e imponen. “Pues negociar con ellos es imposible. Razonar con ellos, impensable. Tratarlos con indulgencia o tolerancia o esperanza, un suicidio. Y cualquiera que piense lo contrario es un pobre tonto”, resumía muy atinadamente Fallaci.

Nos matan, y voy concluyendo, porque nuestra democracia es débil frente a esta nueva amenaza que ya está aquí y que cada día que pasa, como una gran bola de nieve, nos va sumiendo a todos en una pesadilla infernal de sangre y fuego, destrucción y horror. Nos matan porque al igual que en la década de los treinta del siglo pasado, cuando los fascistas se conjuraron para destruir las democracias en Europa y casi lo consiguen, los demócratas somos (y fuimos entonces) débiles y no hicimos nada para detenerlos. Luego para pararles tuvimos que recurrir a la guerra y las consecuencias son la ya consabidas: sesenta millones de muertos, el continente hundido física y moralmente y media Europa en manos de la tiranía comunista. Hoy, si no reaccionamos con fuerza, si no nos unimos frente a estos bárbaros, el día que seamos conscientes del peligro que se cierne sobre nosotros, será demasiado tarde y ya nada podremos hacer más que aceptar nuestro propio suicidio. Nuestra agonía. Y la larga noche, quizá, caerá para siempre sobre toda la humanidad. Nos matan porque no somos capaces de reaccionar y tenemos miedo, sobre todo por eso último nos matan y, lo más triste del caso, es que lo saben. Y nos matan porque algunos los reciben, no olvidemos el lema de Manuela Carmena en Madrid: “¡Welcome refugees!”. Bienvenidos a casa, criminales.

Politicamente correto impõe a servidão mental

A nefasta doutrina politicamente correta é uma forma de censurar a liberdade de expressão, exigindo a servidão mental de seus praticantes. O controle do vocabulário, escreve Percival Puggina, "é sutil forma de dominação cultural e política":


Lembro-me da primeira vez em que fui advertido de estar sendo politicamente incorreto. "Isso significa que não posso usar a palavra promiscuidade?", perguntei receoso. "Claro que não pode!", foi a resposta que ouvi. Desde então, ser contra essa arenga virou preceito para mim. Tornou-se evidente, ali, que o controle do vocabulário é sutil forma de dominação cultural e política. Impõe servidão mental.

O politicamente correto declara encerrados certos debates e dá por consensuais, por irrecorríveis, conceitos boa parte das vezes insustentáveis numa interlocução esclarecida e bem intencionada. Estamos vendo isso acontecer todos os dias e o fato que trago à reflexão dos leitores dá testemunho. Encontrei-o por acaso, na internet.

Em maio passado, um delegado de polícia, que é também jornalista, comentou em grupo do whatsapp um estupro de menor (menina de 11 anos que vivia com a mãe). Referindo-se ao caso, observou que "crianças estão pagando muito caro por esse rodízio de padrastos em casa”. O delegado ocupava função de direção na área de comunicação social de sua instituição. A frase foi qualificada como machista e ele, de imediato, exonerado. Fora, politicamente incorreto! Constatara uma obviedade: as sucessivas trocas de parceiros por parte de mulheres independentes expunha as crianças a contatos de risco.

Indagado pelo Jornal Metrópole sobre se estava arrependido o delegado respondeu que não.
“Precisamos discutir responsabilidades e freios morais. As crianças não podem pagar pelas atitudes desmedidas dos adultos, sejam eles homens ou mulheres. Quem leva uma prostituta para casa está arriscando a segurança de seus filhos. Da mesma forma como alguém que levar um psicopata, um ladrão, um homicida para dentro de casa estará colocando a vida dos filhos em risco”. E mais adiante:"Precisamos ter responsabilidade para enfrentar esse tema".
Criado o monstro é preciso alimentá-lo. E ele é nutrido por casos como esse em que o referido delegado ousou expor ideias que não devem ser expressas. Uma coisa é a dignidade da pessoa humana e o respeito a ela devido. Outra é assumir que, em vista dessa dignidade, resultem abolidos os valores que lhe são inerentes. Ou que esses valores sequer possam ser explicitados em público. E ai de quem faça alguma afirmação na qual se possa intuir fundamento religioso ou da moral correspondente! 

A afirmação do policial foi irretocável, mas envolvia uma advertência sobre o exercício irresponsável dos direitos sexuais. E há, sim, uma correspondência entre direitos e deveres que, na situação genérica descrita, são os da mãe, do pai, ou do cuidador responsável por menores no âmbito do lar. Ora bolas!

Pentágono se prepara para guerra na Península Coreana

Durante 10 dias, 25 mil militares norte-americanos farão exercícios militares com soldados sul-coreanos. Matéria publicada do Washington Post, traduzida e publicada pela Gazeta do Povo:


O exército dos Estados Unidos está se preparando para lançar um grande exercício militar com a Coreia do Sul nos próximos dias e enfrenta um perigoso equilíbrio: como assegurar a seus aliados na região de que se está preparado para uma guerra com a Coreia do Norte sem provocar um conflito de fato no processo? 

O exercício anual Ulchi-Freedom Guardian está agendado para durar 10 dias, começando em 21 de agosto, e incluirá por volta de 25 mil soldados americanos juntamente com milhares de soldados sul-coreanos. O exercício é focado em defender a Coreia do Sul contra um ataque do norte e a cada ano desencadeia ameaças e repreensões da Coreia do Norte. Mas o exercício ocorrerá em um momento especialmente sensível, seguido de uma série de trocas de ameaças entre o presidente Donald Trump e a Coreia do Norte. 

O US Forces Korea, o comando que inspeciona e orienta 28,5 mil militares americanos na península coreana, atualmente não tem planos de mudar o tamanho, formato ou rede de comunicação para o exercício deste ano, disse o Coronel do Exército Chad G. Carroll, um porta-voz militar na Coreia do Sul. A missão é planejada com grande antecedência por ser considerada de natureza defensiva e permite que tanto as forças militares quanto oficiais civis fiquem mais bem preparados e fortalecidos para uma crise, conforme disse Carroll. 

“Nós veremos um maior número de tropas na península, mas não mais do que vemos todos os anos”, disse Carroll em um e-mail.

“Nossa rede de transmissão se manterá consistente. . . Estes exercícios são necessários para manter a prontidão diante de atos provocativos ameaçando a Coreia do Sul e os Estados Unidos. Nosso trabalho é fornecer nossa liderança com opções militares viáveis para caso sejamos chamados, e exercícios como este aprimoram nossa capacidade de fazê-lo”. 

A Coreia do Norte denunciou o exercício na segunda-feira (14), alertando que mesmo um acidente no meio deste poderia desencadear um conflito nuclear. Mas a simulação de guerra também atraiu neste ano o escrutínio da Rússia e China, que sugeriram cancelar a operação para suavizar as tensões. Os Estados Unidos rejeitaram tal opção dizendo que o exercício é necessário para desencorajar a agressão norte-coreana enquanto Washington busca meios pacíficos de parar o desenvolvimento de armas nucleares de Pyongyang. 

“É por isso que temos uma capacidade militar que fortalece nossas atividades diplomáticas”, disse o General da Marinha Joseph F. Dunford Jr, o presidente da Joint Chiefs of Staff (grupo que reúne os comandos das três forças armadas americanas), durante uma apresentação na segunda-feira em Seul. “Estas ameaças são sérias para nós e por isso precisamos estar preparados”. 

Na terça-feira (15), a Coreia do Norte parece ter aliviado uma ameaça de lançar mísseis em direção à Guam, ilha americana no Pacífico. Um meio de comunicação estatal publicou que o líder da Coreia do Norte Kim Jong Un disse que ele observaria os Estados Unidos “um pouco mais” ao invés de responder rapidamente, mais que “faria uma importante decisão, como já declarado”, se os “ianques persistirem em suas ações extremamente imprudentes e perigosas na península da Coreia e suas proximidades”. 

O relatório veio horas depois do Secretário de Defesa Jim Mattis ter alertado que se a Coreia do Norte atingir a ilha de Guam com um míssil, isso significaria o início de uma guerra. 

O Secretário de Estado Rex Tillerson recusou responder diretamente na terça-feira à decisão de Kim Jong Un de voltar atrás em sua ameaça de lançar mísseis em Guam, mas disse que a porta permanece aberta para conversas. 

“Nós continuamos interessados em encontrar uma maneira de estabelecer um diálogo, mas é algo que depende dele”, disse Tillerson, no Departamento de Estado. 

Tillerson e Mattis receberão juntos seus equivalentes japoneses em Washington na quinta-feira, com a Coreia do Norte no topo da lista de assuntos a serem tratados. 

O Coronel do Exército Robert Manning, um porta-voz do Pentágono, disse que ele não discutiria cenários específicos envolvendo no exercício de treinamento. Este permanece focado em assegurar que forças americanas e coreanas possam trabalhar bem juntas, ele disse. Cerca de 2,5 mil tropas americanas extras chegaram na península da Coreia temporariamente no ano passado para o exercício, de acordo com as notícias do Pentágono da época. 

Manning disse que os Estados Unidos e a Coreia do Sul têm “feito muito progresso” nos últimos anos para se prepararem contra qualquer ameaça norte-coreana. O Ulchi-Freedom Guardian é uma grande parte disso, com dois exercícios relacionados – Foal Eagle e o Key Resolve – na primavera servindo como outros exercícios combinados importantes, ele disse. 

Os exercícios militares envolvendo americanos e sul-coreanos já exacerbaram tensões no passado. Em março, o início do Fort Eagle incitou a Coreia do Norte a fazer testes com quatro mísseis, o que em troca incitou o Pentágono a anunciar que estava convocando um sistema de defesa de mísseis conhecido como Terminal de Defesa Aérea de Alta Altitude (THAAD, na sigla em inglês) na península coreana com a aprovação do governo de Seul. 

Em 2015 o Ulchi-Freedom Guardian veio logo após um ataque em 4 de agosto em que dois soldados sul-coreanos pisaram em minas terrestres na região fortemente militarizada de fronteira com a Coreia do Norte, ironicamente conhecida como a Zona Desmilitarizada. A Coreia do Sul jurou revidar e as duas Coreias trocaram fogos de artilharia e foguetes na fronteira durante o exercício Ulchi-Freedom Guardian após a Coreia do Sul começar a transmitir mensagens de propaganda para o norte pela fronteira e a Coreia do Norte responder com o ato de ligar seus próprios alto-falantes. 

O exercício em si já mudou várias vezes e remonta a 1968, quando a Coreia do Sul e os Estados Unidos criaram uma simulação de guerra chamada Focus Lens. Isso ocorreu após a Coreia do Norte sequestrar um navio da inteligência da Marinha americana, o USS Pueblo, e lançar um sangrento ataque com suas forças de Operações Especiais na Casa Azul, o centro do governo a Coreia do Sul, com planos de assassinar o presidente sul-coreano Park Chung-hee.