domingo, 30 de abril de 2017

América Latina, o continente invisível.

Carlos Alberto Montaner afirma que, para e para mal, a América Latina é um continente invisível, particularmente por parte dos Estados Unidos. Foi assim que a praga chavista chegou ao poder em vários países da região, corroendo as instituições e destruindo a economia, a exemplo de Maduro, na Venezuela:


América Latina es, para bien y para mal, el continente invisible.

Para bien, paradójicamente, se demuestra en el triste caso venezolano. Cuando Nicolás Maduro amenaza a Estados Unidos o a España y dice algunas soeces barbaridades: nadie le hace caso. Eso es de agradecer. No lo escuchan. No cuenta. No lo perciben. Es un dictador de celofán y eso le molesta.

Para mal, porque no hay enemigo pequeño, y mucho menos un grandullón colombiano, o de origen dudoso, que mide dos metros y pesa 130 kilos. Incluso, como suelen decir los panameños, siempre dados a las metáforas náuticas, porque no hay actitud más rentable que “navegar con bandera de pendejo”.

Nadie discute que Maduro se pasea por el mundo explotando su identidad de bobo a la vela, y que es un tipo folclórico que habla con los pajaritos (y con las pajaritas, agregaría el personaje), pero hace mucho más que practicar el lenguaje de las aves y retorcer la gramática: auspicia el narcotráfico, otorga pasaportes ilegales, está asociado a Irán, a las FARC y a las bandas de terroristas islamistas, mientras alienta en su país la mayor ola de corrupción que recuerda la historia.

Todo esto, subraya el político y politólogo boliviano Carlos Sánchez Berzaín, desata el éxodo desordenado de la gente más desprotegida. Si guatemaltecos, salvadoreños, hondureños y mexicanos huyen hacia Estados Unidos, es porque gentes como Nicolás Maduro crean las condiciones ideales para que millones (y millonas Maduro dixit) de personas piensen, como sentenciaba Simón Bolívar, que todo lo que puede hacer un latinoamericano ilustrado es emigrar.

Por eso es un disparate que Estados Unidos se dedique a combatir los síntomas del mal – narcotráfico, terrorismo islamista o el habitual de toda la vida, la corrupción generalizada o la inmigración ilegal –, y que ignore las causas de estos flagelos. Es como pelear con la cadena y olvidarse del mono. Es un atroz error pasar por alto a Nicolás Maduro, Raúl Castro, Evo Morales, Daniel Ortega y al resto de los sospechosos habituales.

En este momento, a los míticos 100 días de instalarse en la Casa Blanca, la administración de Donald Trump todavía no ha nombrado en el Departamento de Estado al Subsecretario a cargo de América Latina, no ha formulado una política coherente con relación a los peligros que emanan de esa zona, y ni siquiera ha designado a un embajador titular para que participe en la OEA.

Tampoco es de extrañarse, dado que los países limítrofes también carecen de instinto de conservación y son incapaces de formular una política exterior que intente protegerlos.

En Colombia, Juan Manuel Santos jugó con la fantasía de que Chávez era su nuevo “mejor amigo”, pese a que miles de narcoguerrilleros colombianos vivaqueaban en Venezuela y él lo sabía, mientras al Brasil de Lula y de Dilma no le importaba que una buena parte de la coca que las FARC producía y Venezuela exportaba por medio del Cártel de los Soles (el de los generales venezolanos), inundara las calles de Sao Paulo y Río de Janeiro.

Es indispensable, en este punto, formular y responder tres preguntas básicas.

¿Por qué los únicos países latinoamericanos que han formulado una política exterior conjunta, consonante con sus objetivos, son dictaduras totalitarias, como Cuba, o disfrazadas, como Venezuela, Bolivia, Nicaragua y Ecuador?

Acaso porque sueñan con hundir a Estados Unidos y a los valores que le dan forma y sentido a las odiadas (por ellos) democracias liberales, y saben que para lograr esos propósitos es indispensable actuar en el terreno internacional.

¿Por qué las democracias latinoamericanas son incapaces de generar una política exterior individual o colegiada que las defienda del permanente acoso totalitario?

Tal vez, porque nuestros dirigentes políticos (con excepciones) no ven más allá de sus narices, o porque han delegado en Estados Unidos esa función, sin comprender que a esta nación, finalmente, le importa un rábano lo que pueda ocurrir fuera de sus fronteras, salvo que afecte los intereses y la seguridad de Estados Unidos, como es posible deducir de la permanente corriente aislacionista presente en el país desde que George Washington se despidió del poder recomendándoles a sus compatriotas que se mantuvieran alejados de las querellas europeas.

¿Por qué a Estados Unidos le interesa más cuanto sucede en Indochina o en el Magreb que lo que ocurre en el vecindario latinoamericano, a pocos pasos de la (todavía) imaginaria muralla de Trump?

Sospecho que tiene que ver con la propia autopercepción estadounidense. Pese a la recomendación de Washington, el mainstream se ve como una prolongación de Europa y tiene preocupaciones europeas. América Latina fue un mundo desovado y celosamente guardado por España durante siglos. Muy pocos norteamericanos son capaces de percibir el peligro cuando emana de naciones insignificantes. Por eso no ven, no oyen y no sienten. Trágico.

Ajuste-se à justa justiça

Coluna de Carlos Brickmann, publicada hoje em vários jornais:


Este colunista discorda de uma das principais reivindicações da oposição: a que rejeita modificações na Previdência e exige uma aposentadoria mais justa. Aposentadoria mais justa, acha o colunista, seria uma pensão equivalente ao último salário recebido na ativa, mais uma porcentagem que compense o aumento inevitável de gastos dos idosos.

O problema é que não há dinheiro para isso. A questão sai da esfera da justiça e passa ao setor a que efetivamente pertence, o econômico. Há dois tipos de aposentadoria: o que usamos, de repartição simples (quem trabalha paga, e os aposentados recebem. Cada geração paga a aposentadoria da anterior); e o de capitalização (o desconto de cada assalariado vai para uma conta em seu nome e é investido. Como num fundo de pensão, os rendimentos são somados ao capital. Na aposentadoria, o cidadão passa a receber parcelas de seus investimentos).

Cada sistema tem virtudes e defeitos. Ambos são limitados pelo comportamento da economia. Ambos podem ser bem ou mal geridos. Na capitalização, os aposentados recebem mais, ou menos, conforme a gestão. No nosso caso, quem cobre os buracos é o Tesouro, e surgem as reformas para que a Previdência sobreviva. No Governo Fernando Henrique, houve o fator previdenciário; agora, é o aumento do tempo de contribuição para se aposentar. Nos dois casos, não se fala em justiça. Nos dois casos, a correia sai do couro. Do aposentado.

Inúmeros números

As centrais sindicais dizem que 40 milhões de brasileiros cruzaram os braços em adesão à greve geral. O Governo, extraoficialmente, fala em meia dúzia de gatos pingados, que bloqueou os transportes para impedir que a população chegasse ao trabalho. Ambos os lados têm sua parcela de razão: houve sindicatos que fizeram greve, muitas escolas de classe média alta que aderiram; houve agressões a quem queria trabalhar (no aeroporto de Santos Dumont, no Rio, por exemplo), e ações de combate urbano na tentativa (quase sempre fracassada) de bloquear o trânsito.

Em boa parte dos casos, não houve greve, mas violência para bloquear não grevistas.

Greve de cima

O mais curioso na greve foi a adesão, disfarçada ou não, de entidades de Estado. Os tribunais regionais do trabalho de Minas, Bahia e Rio Grande do Sul suspenderam o expediente, liberaram servidores, adiaram os prazos que venceriam na sexta para o primeiro dia útil seguinte (terça-feira). O TRT baiano suspendeu o expediente em todo o Estado, “por segurança institucional de magistrados, servidores, advogados e cidadãos”. Desobedeceram à ordem expressa do presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Ives Gandra, para que os TRTs funcionassem normalmente.

O TRT gaúcho foi além: explicou sua decisão de não funcionar “levando em conta as manifestações de entidades que expressaram repúdio às reformas”.

Maldade

Mas a participação na greve nada tem a ver, com certeza, com o feriadão que vai até amanhã, 1º de Maio. Com a greve, o feriadão acabou virando um super feriado, com quatro dias de duração.

Cuidado com a festa

O foro privilegiado, alvo de tantas queixas nos últimos tempos, sofreu duro golpe nesta última semana: foi derrubado no Senado, em primeira votação, mantendo-se apenas para os chefes dos três poderes. Mas ainda não é hora de festejar: eliminado o foro privilegiado, quem está sendo processado em tribunais superiores será enviado aos juízes de primeira instância. Pode ser bom para os processados, com reabertura de prazos, etc., e a possibilidade de recorrer à segunda instância e, eventualmente, de chegar ao Supremo de novo, passados alguns anos.

Há outros problemas, de hierarquia: pode um ministro do Superior Tribunal de Justiça ser processado por um juiz hierarquicamente inferior? Talvez essas questões atrapalhem o bom andamento da Justiça ainda mais que o foro privilegiado– e talvez esse tipo de problema seja levado ao Supremo.

Quem cai com a Odebrecht

A situação financeira do grupo Odebrecht vem sendo discretamente acompanhada e discutida pela área econômica do Governo. A preocupação não é exatamente com a Odebrecht, mas com sua dívida superior a R$ 100 bilhões. Se a empresa não conseguir pagar esses débitos, vai atingir pesadamente o balanço dos bancos que lhe fizeram empréstimos. E as despesas continuam altas: os 77 executivos que concordaram em fazer delações premiadas receberam, em troca de seu afastamento da empresa, a promessa de indenizações substanciais. Enfrentando problemas e multas no Brasil e no Exterior, onde irá a Odebrecht buscar mais dinheiro?

Não é no BNDES, que já deu R$ 100 bilhões de subsídios, nos últimos nove anos, às empresas “campeãs nacionais” escolhidas pelo Governo.

E o PT acabou numa delegacia de esquina...

Fernando Gabeira fala sobre as "promessas de maio" - artigo publicado no Globo - e a eterna tentação totalitária da esquerda:


Em maio, as manhãs no Rio costumam ser lindas e, ao entardecer, em Minas, começam a aparecer crianças vestidas de anjo. Mas é em Curitiba que grande parte da atenção se concentra. O depoimento de Lula diante de Sérgio Moro é tido como um grande momento. Talvez contra a corrente, acredito que nada de essencial será mudado.

Em confronto com as evidências que o ligam ao triplex de Guarujá e o sítio de Atibaia, Lula vai negar e, possivelmente, reafirmar que não há documento oficial que o ligue a essas propriedades. Imagino também que, se houver provocações, Sérgio Moro terá a habilidade e vai contorná-las, seguindo com as perguntas que realmente possam esclarecer.

A ideia de que um processo dessa natureza se resolve com manifestações políticas é mais um equívoco da esquerda. Aliás, apoiado em outro equívoco: o de que uma performance num interrogatório pode ser transformado numa alavanca para a campanha presidencial. Se, por acaso, têm como modelo o famoso “A História me absolverá” de Fidel Castro, independentemente de comparar oratórias, é gritante a disparidade de situações. Uma coisa é ser acusado de tramar contra a ditadura de Fulgencio Batista, outra é ser acusado de receber propinas por negócios na Petrobras. Lula está numa situação incômoda, tentando revertê-la em seu favor, e apreensivo com a possibilidade de prisão. Algo que, creio, não vai acontecer. As forças de esquerda no Brasil jogam toda a sua sorte num líder carismático e resolvem acompanhá-lo na aventura, pois temem desaparecer sem ele.

Não sou muito de discutir processos, notas frias, assinaturas falsas. Talvez por isso me interesse mais pela experiência vivida, aquilo que meus olhos e ouvidos revelaram. Por exemplo, estou voltando de Porto Velho, onde aprendi um pouco sobre a história da Usina de Santo Antônio, aquela em que a Odebrecht comprou todo mundo: governador, senadores, deputados, centrais sindicais, polícia e índios.

A delação da Odebrecht fala que as centrais sindicais foram lá, a pedido da empresa e pagos por ela, para controlar os motins dos trabalhadores. O que o delator não contou é que a Odebrecht precisava terminar a obra com muita rapidez, pois assim teria um tempo para vender a energia no mercado livre, por um preço três vezes maior. Os trabalhadores foram submetidos a um intenso ritmo de trabalho, e por isso se rebelaram. Não é a maneira mais racional de reagir. Mas era um trabalho intenso no calor insuportável de Rondônia. Eu mesmo, depois de um dia de trabalho levíssimo se comparado com os deles, não me sentia muito capaz de reagir racionalmente. Não antes, pelo menos, de um banho frio.

As duas obras de Rondônia foram a famosa estrada Madeira-Mamoré, com o sacrifício de muitos na selva, e a Usina de Santo Antônio, imposta em ritmo extremamente duro para os trabalhadores.

A História vai registrar que a CUT e a Força Sindical se colocaram a serviço de uma empresa que, ansiosa por sobrelucros, oprimiu milhares de peões. Lula surgiu com aquela frase dos bagres impedindo a construção da usina. Como bom funcionário da Odebrecht, omitiu que não eram os bagres, mas todas as espécies de peixe que se movimentam no Rio Madeira para a reprodução.

O julgamento dos 20 mil trabalhadores, dos atingidos pela barragem, dos moradores da Jaci Paraná quando tomarem conhecimento de tudo isso, certamente vai dispensar a ida ao tabelião para buscar provas. É uma verdade histórica.

Com a insistência na negação suicida e jogando todas as suas fichas no destino de seu líder, se a esquerda sonha de verdade em chegar ao governo e não está apenas fugindo da polícia, é um sonho cinzento. Nas circunstâncias, dificilmente venceria e, se o fizesse, a resistência colocaria a todo instante a tentação totalitária.

Isso não é futuro, é punk. O que pode acontecer com essa insistência no erro é um cenário parecido com o da França, onde, por outros motivos, a esquerda nem chegou ao segundo turno.

Não tenho a pretensão de acertar num futuro tão nebuloso como o nosso. Mas algumas coisas, aprendi. O que fizeram na Usina de Santo Antônio, por dinheiro, foi uma vergonha. Todos os que se intitulam progressistas e embarcam nessa canoa furada do lulapetismo, diante do episódio não têm outra saída: ou engolem ou cospem.

Num artigo escrito há quase dez anos, previ que a experiência petista ia acabar numa delegacia da esquina. O artigo era “Flores para os mortos”.

Talvez por isso, maio em Curitiba me pareça tão familiar como as lindas manhãs do Rio e os anjos subindo ladeira ao entardecer numa cidade histórica de Minas. A maioria da esquerda ainda acredita que nada aconteceu e que vai chegar ao poder. O interessante é que muitos que sabem o que aconteceu consideram possível essa hipótese.

Em maio, costumo delirar.

sábado, 29 de abril de 2017

O tesouro que não é de Lula


Não me levem a mal, mas não haverá revolução liberal.

Alberto Gonçalves, no jornal português Observador: "os portugueses querem levar a vidinha sem sobressaltos, maçadas e vergonha na cara, promessas em que, por exemplo à imagem de Salazar, a esquerda é exímia. Falar-lhes de liberalismo é um luxo inútil":


À revelia dos meus princípios (é verdade, tenho dois ou três), há oito dias participei num encontro público. Em primeiro lugar, porque se realizou a escassos minutos de minha casa e a minha preguiça tem limites. Em segundo lugar, porque os organizadores são pessoas que estimo e detestaria desapontá-las. Em terceiro lugar, porque o tema era a conversão dos portugueses ao liberalismo e sou um devoto de causas perdidas e esotéricas.

Apareceram dezenas de curiosos, dos 17 aos – faço uma estimativa – 77 anos, talvez metade dos liberais disponíveis no país. Discutiu-se imenso. Não se chegou a conclusão nenhuma. Sobretudo, não saiu dali a sombra de um partido, um movimento, uma comissão, uma “iniciativa” sequer. É escusado acrescentar que a coisa correu maravilhosamente.

Apesar da retórica oficial e oficiosa em sentido contrário, gostar da liberdade não é para todos. Por cá, de resto, é para muito poucos. Há séculos que filósofos, pensadores e génios diversos tentam capturar, com rede ou zagalote, a “identidade” pátria. Eu descobri-a numa reportagem de “telejornal” sobre a eventual proibição de fumar em carros particulares na presença de menores. Inquirido a propósito, enquanto fumava ao volante com o filho no banco de trás, um indivíduo declarou-se irredutivelmente a favor da putativa lei. Ou seja, aquele portento de cidadão apenas esperava que o Estado o impedisse de cometer um comportamento que ele próprio achava condenável. E ele próprio não via nada de condenável nisso.

É natural. Inúmeros compatriotas esperam pelo Estado para quase tudo: a regulação de condutas, um “apoio”, um “jeitinho”, um abrigo, um ralhete, uma norma, um conforto, um emprego, o que calhar. Sem aval superior, nós – e por “nós” entenda-se a população quase em peso – não existimos. Pior ainda, desconfiamos que não somos dignos de existir. Não me canso de repetir, ou, para ser sincero, canso-me bastante: os portugueses são crianças, genuinamente desprovidas de um pingo de autonomia e para cúmulo satisfeitas com a situação. Às vezes resmungam? Claro que sim, já que é dever das crianças resmungar até que as devolvam à ordem ou lhes ofereçam o Cornetto de morango.

Esta semana, os dois principais animadores do encontro acima referido, o Telmo Azevedo Fernandes e o Vítor Cunha, assinaram no Observador artigos acerca da possibilidade de um liberalismo português. Começo pelo artigo do Telmo, que admiro pela inteligência e de que discordo pelo optimismo. Resumindo demasiado, o Telmo defende “a superioridade moral da defesa das liberdades individuais por contraponto a qualquer das alternativas ideológicas existentes”. Aqui, está evidentemente certo. Em simultâneo, defende ser possível convencer as gentes dessa superioridade. E aqui está infelizmente errado.

Os portugueses não são avessos à liberdade por desconhecerem os respectivos benefícios. Os portugueses são avessos à liberdade por conhecerem as respectivas desvantagens – e as vantagens da atitude oposta. Na medida em que deposita o destino nas mãos de cada um, a liberdade implica responsabilidade, risco e uma trabalheira desgraçada, em suma exactamente aquilo que o português evita, ou procura evitar, ao roçar-se diligentemente no Estado.

Menos esperançado que o Telmo, e para o final de um texto tipicamente admirável, o Vítor nota o ponto: “não basta o ‘argumento da superioridade moral do individualismo’”. Mais esperançado que eu, supõe que “a demografia envelhecida e a falência do Estado obeso farão mais pela necessidade de mudança que qualquer acção que os liberais possam directamente promover.”

É raríssimo divergir do Vítor. Logo, aproveito a oportunidade. Mesmo velhos e falidos, duvido que os portugueses culpem o socialismo mitigado ou demolidor em que intermitentemente vivemos. A culpa da derrocada final, se não for do Espírito Santo, será como sempre atribuída a outra força externa qualquer, empenhada por razões obscuras no enxovalho deste valoroso povo. Em parte, aceita-se: quem não se sente capaz de cuidar de si, não se sente forçado a assumir desvarios. O que não se devia aceitar é que os principais culpados, os manhosos senhores que instigam a dependência para reinar sobre multidões submissas, permaneçam invariavelmente impunes.

Ignoro se os portugueses são subordinados cá dentro porque Portugal o é lá fora ou se Portugal é subordinado lá fora porque os portugueses o são cá dentro. Também ignoro se a ancestral pobreza de espírito advém da ancestral pobreza material ou se acontece o inverso. Porém, acredito que, privados de um vestígio de emancipação, somos presa fácil de pantomineiros vários. Acredito que os pantomineiros de hoje desceram a um descaramento inédito. E acredito que o descaramento dos que mandam é proporcional à vassalagem dos que obedecem. Quando, no dia seguinte a fingir comemorar a liberdade, a criatura que passa por primeiro-ministro informa o parlamento de que não lhe deve satisfações e a proeza não implica consequências, o nosso futuro é previsível.

Salvo os irremediavelmente patetas, os portugueses sabem que a liberdade de “Abril” é, no mínimo, um bocadinho fraudulenta. E sabem que a “justiça social” é um eufemismo para o controlo da economia por uns tantos. E sabem que a retórica das “causas” é um projecto de lavagem cerebral. E sabem que o regime é propriedade de grupos, grupúsculos e “personalidades”. Simplesmente não querem saber. Os portugueses querem levar a vidinha sem sobressaltos, maçadas e vergonha na cara, promessas em que, por exemplo à semelhança de Salazar, a esquerda é exímia. Falar-lhes de liberalismo é um luxo inútil, uma excentricidade similar a descrever os méritos do casamento aberto a um membro do Estado Islâmico. O tipo olha-nos com desprezo, vira costas e regressa à rotina de cortar cabeças. Os portugueses não cortam cabeças, mas não têm a sua em grande conta.

Sem adesão popular. Só deu pelego!

Merval Pereira afirma, em artigo publicado no Globo, que a greve se resumiu a parar o trânsito, forçando a população a "aderir" involuntariamente. De resto, fica provado que não há futuro para Lula e seu partido:


A greve de ontem, que antes de ser “geral” foi mais um imenso protesto de sindicatos e associações de classe, pode ter sido um sucesso do ponto de vista classista, mas não houve indicações de adesão popular às causas prioritárias do movimento, contra as reformas trabalhista e previdenciária.

Não resta dúvida de que a greve foi muito bem organizada, já que teve caráter nacional com o mesmo modo de atuação: o segredo é bloquear os transportes. E para fazer isso com eficiência, basta meia dúzia de militantes para fechar avenidas e estradas. A dispersão organizada é melhor que a concentração grandiosa em poucos pontos, e a Policia ainda ajudou ao não atuar preventivamente para impedir os bloqueios.

Paralisar a vida normal do país pode ter sido, no entanto, um tiro no pé, especialmente devido aos atos de vandalismo. Ter que usar piquetes e violência para impedir a ida ao trabalho e a circulação normal do transporte público, é prova de fraqueza do movimento; é prova de que não tem adesão popular. A ajuda dos black blocs só reforça essa sensação.

Não houve uma greve espontânea, do povo revoltado que resolveu protestar, e sim de sindicatos e de corporações que estão perdendo regalias nas reformas, principalmente o fim da contribuição sindical obrigatória. Tenho a impressão de que essa greve não vai influenciar as votações no Congresso, e pode ter sido uma evidência de que os temas, embora impopulares, não estão mobilizando a população tanto quanto as corporações sindicais sinalizam.

Em todo lugar do mundo reformas como a da Previdência ou a trabalhista provocam protestos e greves, e somente um governo como o de Temer, que não tem objetivos eleitorais após o término do mandato, pode se arriscar a concretizá-las.
Ao contrário, a base parlamentar que o apóia no Congresso depende do voto popular para manter-se na política, mas por uma dessas circunstâncias muito características da política brasileira, eles dependem mais do sucesso das reformas.

Caso não as aprovem, principalmente a da Previdência, não há futuro para o governo Temer e, conseqüentemente, também para eles. Já fizeram parte da base aliada dos governos Lula e Dilma por razões nada republicanas, mas os abandonaram para voltar a suas origens políticas.

É uma base liberal- conservadora que não tem lugar em um projeto de governos esquerdista depois que foi revelado o esquema de corrupção que sustentou essa estranha simbiose.

Com algumas exceções regionais, como é o caso de Renan Calheiros em decadência eleitoral em Alagoas, a maioria dessa base parlamentar está mais bem acomodada num governo conservador como o de Temer do que numa aliança com partidos de esquerda que se sustenta à custa do puro fisiologismo.

A melhor aposta para essa grande massa parlamentar é na melhoria da economia com um projeto liberal, mesmo por que a alternativa da “nova matriz econômica” já deu com os burros n’água.

Além do mais, há outros fatores importantes nessa equação, um deles sempre presente é a Operação Lava Jato. Na próxima semana haverá o novo depoimento do ex-diretor da Petrobras indicado pelo PT Renato Duque, que se manteve calado por quase três anos preso. Outro que em breve fará a delação premiada é o ex-ministro Antonio Palloci, homem forte de Lula e Dilma.

Não há futuro brilhante para o PT ou Lula, ou pelo menos jogar com essas cartas parece mais arriscado do que manter a atual posição governista. Tudo isso, no entanto, não torna fácil a aprovação de uma emenda constitucional que exige pelo menos 308 votos em duas votações na Câmara e outras duas no Senado, também com quorum qualificado.

O mais provável é que o relatório sobre a reforma da Previdência seja apresentado na Comissão de Constituição e Justiça no dia 8 de maio, e a partir daí o governo avaliará qual o melhor momento para colocar o projeto em votação no plenário.

O embusteiro Lula e suas hordas: greve compulsória.

Editorial do Estadão: "Lula e PT apelam descaradamente ao embuste, transformando em “grevistas” os cidadãos impedidos de trabalhar pelo gangsterismo sindical, porque sabem que não lhes restam muitas alternativas – num cenário em que o outrora poderoso partido luta para não se transformar em nanico nas próximas eleições e em que o demiurgo petista tem mais chance de ir para a cadeia do que para o Palácio do Planalto". Na íntegra:


Como era previsível, milhões de trabalhadores tiveram de aderir compulsoriamente à tal “greve geral” convocada pelas centrais sindicais para protestar contra as reformas trabalhista e previdenciária. A título de defender os direitos desses mesmos trabalhadores, os sindicalistas cassaram-lhes o elementar direito de trabalhar, por meio da paralisação dos transportes coletivos. E aqueles que tentaram chegar ao trabalho de outras maneiras foram igualmente impedidos ou tiveram imensa dificuldade graças ao bloqueio criminoso de ruas, avenidas e estradas realizado por “movimentos sociais” que se comportam como bandos de delinquentes. Quando e onde nenhuma dessas táticas funcionou, os sindicalistas partiram para a pancadaria pura e simples.

Os acontecimentos de ontem serviram para mostrar que, embora haja uma insatisfação generalizada com o atual governo, a representatividade dos organizadores da balbúrdia travestida de “greve geral” é pífia. A maioria dos brasileiros tem manifestado, nas pesquisas de opinião, seu desagrado com as reformas – naturalmente impopulares –, mas deixou claro ontem que não compactua com a violência nem com a exploração mesquinha de sua insatisfação por parte de grupelhos político-sindicais. Com seus principais líderes acuados por inúmeras denúncias de corrupção e depois de terem provocado a maior crise econômica da história brasileira quando estiveram no governo, deixando mais de 14 milhões de desempregados, esses tipos sabem que, no voto, não têm mais como ganhar – então partem para o grito.

Não faltaram imagens e situações para simbolizar essa disposição truculenta da tigrada. Em São Paulo, pequenos grupos de baderneiros queimaram pneus para interromper o trânsito em diversos pontos, impedindo a livre circulação de quem queria chegar ao trabalho. A mesma tática foi usada em várias outras capitais.

No caso de São Paulo, a polícia foi rápida e interveio para liberar a passagem, prendendo vários desses vândalos. No entanto, como eles não desistem, havia a perspectiva de mais violência até o final do dia de ontem, em manifestações cujo único propósito era tumultuar ainda mais a vida dos paulistanos.

Em muitas cidades, sindicalistas, como verdadeiros mafiosos, obrigaram comerciantes a fechar as portas e agrediram quem ousasse desafiá-los. Houve pancadaria dentro do Aeroporto Santos-Dumont, no Rio de Janeiro, protagonizada por integrantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) devidamente uniformizados, assustando os passageiros que apenas queriam embarcar para cumprir seus compromissos. Também no Rio, decerto contrariados com o fato de que o transporte não parou, os sindicalistas depredaram ônibus.

Tudo isso indica claramente o fracasso de um movimento de espertalhões que pretendia sequestrar o descontentamento da população para utilizá-lo como arma contra o governo que tenta consertar o estrago legado pelo PT. Nada disso significa, é claro, que eles vão desistir e se resignar. Ao contrário: continuarão a agredir a verdade dos fatos e a tentar confundir a opinião pública para se apresentarem como solução dos problemas que eles mesmos criaram.

Por isso, não surpreende que o principal chamamento para a tal “greve geral” tenha partido do próprio PT, que para tanto fez uso até do horário eleitoral a que tem direito na TV, pago com dinheiro do contribuinte. E por isso não surpreende que o chefão petista, Lula da Silva, tenha aproveitado o ensejo de uma greve que ele considerou um “sucesso total” para anunciar-se candidato a presidente: “Hoje eu posso dizer com certeza: quero ser candidato a presidente outra vez. Vou pedir ao povo brasileiro a licença para votar em mim”.

Lula e PT apelam descaradamente ao embuste, transformando em “grevistas” os cidadãos impedidos de trabalhar pelo gangsterismo sindical, porque sabem que não lhes restam muitas alternativas – num cenário em que o outrora poderoso partido luta para não se transformar em nanico nas próximas eleições e em que o demiurgo petista tem mais chance de ir para a cadeia do que para o Palácio do Planalto.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

O fracasso da "greve geral" confirma: liderança de Lula não passa de lenda.

Pelo menos uma coisa a fracassada greve dos pelegos lulopetistas demonstrou: o caos que a prisão de Lula supostamente geraria é lenda. Post de Ricardo Bordin:

O Juiz Sérgio Moro costuma ser considerado, acima de tudo, um bravo – pelo menos por aqueles ávidos pela devida responsabilização de agentes públicos e privados que dilapidaram como nunca os cofres estatais e contribuíram para mergulhar o país na recessão; bom que se faça a ressalva.
Muito além do conhecimento e da perspicácia, o trabalho do paranaense de Ponta Grossa (a cidade, ok?) tornou-se notório pela coragem de interpretar as leis sempre no sentido de assegurar a eficácia da persecução penal contra os criminosos (especialmente quando da expedição de mandados de prisão preventiva).
Até a lavajato começar a trazer figuras de relevo da política e do capitalismo de laços para sentir o frio de Curitiba, pareciam intocáveis pelo Judiciário e pelo ordenamento jurídico pátrio os maiores corruptos e corruptores de que se tem notícia na história da humanidade.
Ora, se a mesmíssima legislação que servia, até então, para promover a impunidade, agora faz infratores sofrerem as consequências de seus atos, resta claro que o elemento que faltava nesta questão era mesmo ousadia. E a chancela dos tribunais superiores a mais de 90% de suas decisões ainda prestou-se a comprovar que nunca estivemos diante de um suposto “justiceiro” atropelador das normas, mas simplesmente de alguém disposto a dar um basta na impenitência generalizada.
Ou seja, Sérgio Moro não faz nada, portanto, que seus colegas de profissão não possam fazer também – e esperamos que doravante, diante de tão egrégio exemplo, o façam.
Mas é sabido, por outro lado, que a valentia do magistrado é temperada por sua notável capacidade de pensar a longo prazo, de agir pensando nos desdobramentos de seus despachos ali na frente, como se xadrez jogasse contra a bandidagem.
Não por acaso, ele chegou a pedir apoio da população, durante suas palestras, para que pudesse encarcerar altas autoridades do Brasil. Vale dizer: ele sabe ler o ambiente político, avaliar a vontade do cidadão, ponderar se uma dada ação sua pode vir a comprometer a credibilidade de toda a operação.
E é certamente esse o motivo pelo qual o ex-presidente Lula ainda não está preso: o temor, por parte dos membros da “República de Curitiba”, de uma suposta convulsão social que poderia ser gerada pela condução do ex-presidente para trás das grades.
Bastaria lançar mão, afinal de contas, dos mesmos critérios que foram empregados para aprisionar Eduardo Cunha, Sérgio Cabral e José Dirceu, dentre outros, e pronto: o “amigo” da Odebrecht começaria a pagar por seus crimes.
Não à toa, Sérgio Moro atendeu à solicitação da Polícia Federal para adiar o depoimento de Lula – no curso de uma das seis ações penais  nas quais é réu – em uma semana, com vistas a evitar enfrentamentos entre seus correligionários e as forças de segurança.
O magistrado chegou a afirmar que os grampos que flagraram conversas suspeitas de Lula, na Operação Aletheia, poderiam justificar sua prisão temporária, mas que, na ocasião, acabou-se optando por ‘medida menos gravosa’ – no caso, a condução coercitiva do petista.
Sérgio Moro deveria realizar este cálculo de possíveis danos à ordem pública antes de decretar uma prisão? Há controvérsias, pois cidadão algum deveria,  em tese, ser visto de forma diferenciada pelo Estado. Já a prática é bem diferente, e sabemos que este trade-off  que permite que Lula usufrua da liberdade até eventual condenação em segunda instância serve para garantir a continuidade da Lavajato e das demais operações dela derivadas.
De qualquer forma, frente a acontecimentos recentes diversos, já é possível afirmar sem medo de errar: este receio de que o encarceramento de Luiz Inácio poderia gerar caos nas ruas do país não tem mais razão de ser. É lenda urbana.
A prometida guerra civil não deu às caras e, não fosse pela curiosidade mórbida de rever vídeos engraçados da ex-presidenta vez por outra, ela já teria sido esquecida de vez – embora seu marqueteiro insista em nos reavivar a memória em suas declarações à Justiça.
Nem mesmo as invasões de colégios por parte de estudantes capitaneados por militantes disfarçados de professores surtiram efeito algum. Apesar de contar com a complacência daqueles que deveriam garantir o direito de ir e vir dos alunos que pretendiam estudar, a forte reprovação por parte da população ordeira fez minguar o movimento.
Já há um sem número de pessoas saltando da barca lulista tal qual ratos durante um naufrágio. Quando até mesmo indivíduos outrora apoiadores incondicionais de Lula, como Paulo Henrique Amorim e Leonardo Boff, passam a afirmar que o Brahma “deturpou o petismo”, é porque a água (suja) já bateu no queixo – ou na barba.
Ademais, o partido dos trabalhadores foi varrido nas eleições municipais de 2016, em uma evidente demonstração de que sua capacidade de convencimento das massas reduziu-se quase ao zero absoluto.
E o ato final deste enredo de derrocada: o fracasso estrondoso do movimento que se pretendia paradista neste 28/04/2017. A adesão ficou muito abaixo do pretendido pelos organizadores, e restrita basicamente a descontentes com a perda de privilégios – especialmente o imposto sindical compulsório em vias de ser  extinto.
Primeiramente, deixemos claro: greve é resultado de desacordo entre empregados e empregadores após tentativa frustrada de negociação. O que ora ocorre nesta (conveniente) véspera de feriadão prolongado pode ser chamada, pois, de qualquer coisa menos greve. Assim sendo, o desconto de um dia de trabalho no salário dos faltantes (mais a remuneração do descanso semanal) é totalmente legal – bem como o emprego, sendo o caso, de outras medidas inerentes ao poder disciplinar, como advertência ou suspensão.
O principal problema causado pelo evento em comento foi a paralisação do transporte coletivo terrestre  (pois os aeroportos operaram normalmente), muito pelo fato de que a maioria dos motoristas de ônibus foi constrangida a não trabalhar por representantes sindicais – conduta tipificada como crime no Brasil, e que poderia perfeitamente (alô, PM) motivar a prisão de seus perpetradores.
Aliás, convém aqui ressaltar que multas impostas a sindicatos pela realização de greves ilegais de nada adiantam, pois como tais entidades são monopolistas em suas devidas regiões de alcance, não há motivo sequer para que elas preocupem-se com uma possível insolvência. A legislação, pois, salvaguarda suas atuações irregulares e prejudiciais à sociedade, incentivando suas práticas manifestamente ilegais.
Apesar, portanto,  de algum transtorno e da esperada paralisação de determinadas escolas (lugar comum na conjuntura atual Paulofreireana), o resultado da mobilização foi praticamente nulo. Pior: serviu para mostrar que as pautas da agenda dos protestantes não coincide com as do povo em geral, dando mais munição política para a aprovação das necessárias reformas que tramitam no parlamento.
Face ao exposto, rogo ao juiz Sérgio Moro, em nome dos demais brasileiros de bem: se o senhor já possui os elementos de convicção para prender preventivamente Luiz Inácio Lula da Silva, e tem segurado a caneta pensando em nossa segurança, fique susse, como se diz em Curitiba, e faça as honras. As delações premiadas são benéficas ao processo penal justamente por propiciar a captura dos cabeças dos esquemas de corrupção. E se o procurador Deltan Dallagnol estiver certo em seu PowerPoint, vossa excelência está com a faca e o queijo na mão para pegar o Capo do petrolão.
Adaptando um certo slogan entoado por aí, “não vai ter bagunça”; no máximo um dia ou dois de incômodo. Nada mais. Valerá   (e muito) a pena.
Renato Duque, em novo depoimento marcado para 05/05, promete entregar mais subsídios ainda para sua apreciação. Não quer aproveitar o ensejo? Só uma sugestão…

Sobre greve, pneus e mentiras. E muitas verdades.

A baderna dos pelegos segundo o Chumbo Gordo:


Greve geral ou constrangimento geral? O que se pode ver pela TV em todo o país são poucos manifestantes pondo fogo em pneus para impedir que o grande número de pessoas que desejam ir trabalhar consigam atingir seu objetivo. Pararam os ônibus, tenho informações fidedignas, na base da ameaça aos donos das empresas, “se puserem os ônibus na rua, vamos quebrar todos.”. Sindicalistas ou membros do PCC? Fazer greve é direito garantido, trabalhar também é, quem quiser, que pare, mas quem não quer, tem o direito de trabalhar.

Não se vê o povão nas manifestações, somente militantes, seja lá o que isso descreva.

O que está incomodando mais, eventuais perdas de direitos trabalhistas – não consigo ver quais – ou o fim do imposto sindical?

Para azar dos “lavajatados”, a Polícia Federal não aderiu à greve…

CUT, CNBB et caterva: protagonismo retrô.

Cardeais diante de seu ídolo
Artigo de Percival Puggina sobre a greve que não foi geral e somente prejudicou os cidadãos que queriam trabalhar:


Neste momento em que escrevo, militantes a serviço da organização criminosa que desgraçou o país põem em curso uma tentativa de greve geral que virou algo tipo "Vamos queimar pneus e parar o Brasil na porrada e no miguelito". Todos sabiam o que iria acontecer e não imagino a CNBB, que enfaticamente apoiou o movimento, tão ingênua a ponto de desconhecer as infames técnicas de "mobilização" utilizadas pelos companheiros da CUT. É assim o protagonismo do retrocesso.

Atuam com bastante vigor em nosso país grupos que oferecem resistência cerrada ao futuro. Ou, para dizer o mesmo com vocábulos de sua predileção: "dialogam" com o passado e "problematizam" o progresso. De bom grado, se pudessem, parariam o relógio. Aferram-se a uma idiossincrasia da nossa cultura que, embora reconhecendo inegáveis defeitos na ordem política e social, preferem que nada mude. Está errado, sim, mas não mexe. Tem sido muito perceptível sua atuação nestes dias em que o Congresso Nacional tenta promover algumas reformas indispensáveis ao país. Por contraditório que pareça, dizem-se "progressistas". CUT progressista? CNBB progressista? Já eram retrógrados nos anos 80! Nem toda militância e nem todo protagonismo social impulsiona o progresso. Atribuir malignidade a quem deseja promover reformas no país porque a vida, a demografia e o mundo do trabalho mudaram é maniqueísmo raso, primitivo, retrô.

É ele que mobiliza as energias do atraso contra a reforma trabalhista, por exemplo. Considera como núcleo de uma atividade política essencial a contribuição sindical obrigatória, mantenedora do parasitismo pelego e da transferência de recursos dos trabalhadores para os coletivos que aparelha e manipula. E que atividade política é essa que se realiza pela via sindical? Ela se chama corporativismo, um dos maiores e mais renitentes males do Estado brasileiro. Ops! Corporativismo? Mas não é ele a própria essência do Estado fascista? Leia, a propósito, o discurso de Mussolini sobre o Estado Corporativo proferido em 14 de dezembro de 1933. Claro que o corporativismo, nesse mesmo discurso do Duce, pressuporá em seu desenvolvimento um Estado totalitário, mas qual é o conceito de Estado postulado pelas atuais corporações? E em que tipo de ente estatal desembocariam as corporações vigentes no país se todas as rédeas lhes forem soltas? Pois é.

O protagonismo retrô ama a CLT. Jamais mencione suas analogias com a Carta del Lavoro porque, novamente, ops! A Carta del Lavoro é um documento essencial do fascismo, já bem conhecida como tal quando inspirou a legislação trabalhista brasileira. As muitas centenas de adendos e supressões que recebeu ao longo do tempo não lhe alteram a vertente. E a vertente não lhe retira, aos olhos do protagonismo retrô, sua suposta sacralidade.

O protagonismo retrô ama o Estado, de paixão. Se o Estado tivesse foto oficial, estaria emoldurado e exposto na parede, com marcas de batom. "Tudo no Estado, nada contra o Estado e nada fora do Estado". Ops! Isso também é fascismo, é Mussolini falando, mas não diga porque a constatação os aborrece. Então, quando algo bom para a sociedade surge fora do controle do Estado, como o Uber, ou o Cabify, eles precisam, desesperadamente, estabelecer o modo pelo qual tais iniciativas sejam trazidas para o controle do Estado, para benefício do Estado e para dentro do Estado.

Acontece, leitor amigo, que, por mais que dialoguemos com o passado, por mais que o protagonismo retrô tente, sempre, deixar tudo como está, mesmo se tudo errado, é impossível deter o futuro, tanto quanto repetir a vida vivida. Impõe-se evitar, portanto, que algo assim se transforme em plataforma política e seja imposto a uma nação cujo presente lhe deixa muito claro: ou busca o futuro, ou vai estagnar em página virada. E eu não estou falando da Venezuela nem de Cuba, que tantos amores suscitam entre os protagonistas retrô.

O fracasso dos pelegos baderneiros

São Paulo: baderneiro destruindo o patrimônio público.
Resumo de Vera Magalhães, no Estadão:


Greve geral teve mais tentativas de obstruir transporte que manifestações contra mudanças trabalhista e previdenciária.

Vade retro, vagabundos!

População desempregada atinge recorde: 14,2 milhões.

Enquanto os privilegiados pelegos do lulopetismo promovem arruaças país afora, mais de 14 milhões de brasileiros procuram emprego. Estes não estão em greve:


A taxa de desocupação no Brasil ficou em 13,7% no trimestre encerrado em março de 2017, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta sexta-feira, 28, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, a população desempregada atingiu o recorde de 14,2 milhões de pessoas.

RIO - A taxa de desocupação no Brasil ficou em 13,7% no trimestre encerrado em março de 2017, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta sexta-feira, 28, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, a população desempregada atingiu o recorde de 14,2 milhões de pessoas.

O resultado ficou igual à mediana (13,70%) e, portanto, dentro das expectativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que estimavam uma taxa de desemprego entre 13,20% e 14,10%.

Em igual período de 2016, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 10,9%. No trimestre encerrado em fevereiro de 2017, o resultado ficou em 13,2%.

A renda média real do trabalhador foi de R$ 2.110,00 no trimestre até março. O resultado ficou estável em relação ao mesmo período do ano anterior.

A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 182,9 bilhões no trimestre até março, também estável ante igual período do ano anterior.

Desde janeiro de 2014, o IBGE passou a divulgar a taxa de desocupação em bases trimestrais para todo o território nacional. A pesquisa substituiu a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrangia apenas as seis principais regiões metropolitanas, e também a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) anual, que produzia informações referentes somente ao mês de setembro de cada ano.(Estadão).

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Desfecho do lulopetismo: Brasil entre os 10 piores do mundo em crescimento econômico.

O mal que o lulopetismo fez ao país ainda vai pesar no bolso, nos empregos e na economia brasileira por muito tempo. Lula e Dilma serão inesquecíveis na história brasileira. Artigo de Marcel Balassiano, publicado no Instituto Liberal:


Recentemente o FMI divulgou seu relatório semestral do panorama da economia mundial (World Economic Outlook) bem como as suas projeções para algumas variáveis econômicas até 2022. Segundo o instituto, o PIB mundial deve crescer esse ano 3,5%, em termos reais, sendo que os países avançados devem se expandir 2,0%, enquanto que os emergentes, 6,5%. Da amostra total de 192 países, 20% são economias avançadas e 80% emergentes.

O Fundo projeta um crescimento esse ano para o Brasil de 0,17%, taxa menor do que a mediana das expectativas do mercado do boletim Focus (0,43%). Para 2018, a projeção do FMI está em 1,75% contra 2,50% da Focus.

A recessão brasileira, com duas quedas reais de PIB em 2015 e 2016 (média de -3,7% ao ano), sendo o pior biênio de crescimento econômico em mais de 100 anos, foi reflexo, em grande parte, de erros de política econômica que os governos petistas implementaram nos anos passados, com as medidas da “Nova Matriz Econômica”.

Entre os países da América Latina, o Brasil só ficou pior do que a Venezuela nesses dois últimos anos (-3,7% de crescimento médio real a.a. do PIB para o Brasil contra -12,3% a.a. para a Venezuela). E, além desses dois países, o Equador também apresentou crescimento negativo nesse biênio (-1,0% a.a.), enquanto que a Argentina ficou estagnada (+0,1% a.a.).

E, mais uma evidência da dimensão da grave crise brasileira, que é muito mais doméstica do que internacional, pode ser observada na Tabela 1:


De um total de 191 países que o FMI apresenta os dados de crescimento real do PIB para 2015 e 2016 (para a Síria não há dados, por motivos óbvios), o Brasil ficou em décimo lugar ao se analisar as piores médias do biênio 2015-2016. Vale frisar que o Brasil é muito mais relevante, em termos econômicos, do que os demais países desse “ranking”. O PIB do Brasil (em dólares) é mais de três vezes a soma do PIB (também em dólares) de todos esses outros nove países da lista. Enquanto que o PIB brasileiro correspondeu a 2,4% do PIB mundial em 2016, esses nove países juntos corresponderam a 0,7% do PIB do mundo. Nesse biênio, o mundo cresceu, em termos reais, 3,2% a.a., sendo que os países emergentes avançaram 6,6% a.a., e as economias avançadas, 1,9% a.a.. Ou seja, questões internas devem ter predominado na recessão brasileira. Sinal de que os erros cometidos no passado foram muitos!

O forno privilegiado da Juspizza


Lulismo de batina: os bispos de passeata.

Boa nota de meu cargo amigo Moacir Pereira, colunista do Diário Catarinense, sobre a adesão de bispos e escolas confessionais à greve convocada pelo peleguismo lulopetista contra as reformas do governo. Não é à toa que as igrejas católicas estão cada vez mais vazias. Vão ser socialistas assim em Cuba ou Venezuela, duas grandes potências:


Durante o regime militar, sacerdotes católicos esquerdistas que apoiaram a luta armada e lideraram protestos públicos ficaram conhecidos como "padres de passeata". A atual crise brasileira, gerada pelo populismo lulopetista, e que provocou o maior desastre econômico da história do país, está produzindo uma nova classe na hierarquia cristã: os "bispos de passeata".

Partiu da CNBB semanas atrás uma contundente nota oficial contra as reformas trabalhista e previdenciária, com veemente condenação a qualquer iniciativa de modernização da legislação brasileira.

Eles, por acaso, ignoraram a realidade econômica nacional e mundial e esta jurássica legislação trabalhista? A CLT completa 74 anos, foi implantada quando o Brasil era estado pré-industrial, nem se sonhava das comunicações modernas, muito menos trabalho virtual, internet, mundo digital etc.. Mas o episcopado brasileiro se insurge contra qualquer alteração na CLT. Sobre a previdência ignora que a esmagadora maioria dos países já adotou a idade mínima de 65 anos para aposentadoria.

Vem agora o Colégio Catarinense, o mais tradicional educandário particular de Santa Catarina, comunicar aos pais dos alunos que decidiu aderir à greve desta sexta-feira. Fato inédito. Um colégio jesuíta cancelar atividade escolar para aderir a uma paralisação política, ideológica e partidária. Diz a direção que, por decisão da direção nacional e da CNBB.

Anotem e guardem: se em futuro próximo governos não pagarem mais proventos aos aposentados e pensionistas, que cobrem dos bispos.

Tristeza maior: a CNBB nunca se manifestou sobre este monumental assalto na maior corrupção da história, liderada e praticada por muitos daqueles que apoiou durante anos.

Aí, fica pesquisando porque as igrejas estão cada vez mais vazias.