sábado, 29 de março de 2008

O mito do Dalai Lama

O texto a seguir é uma colaboração de Antonio Sergio Ferreira Baptista, médico em Joinville (SC).


Com o conflito nas ruas de Lhasa, o Tibete voltou a ser o centro das atenções recentemente. Clamores pela libertação do país, idealizado como um Shangri-la, invadiram a mídia, mas este Tibete ilusório tem pouco a ver com a realidade histórica.

O povo tibetano é apenas uma das 56 minorias existentes na China, onde a maior parte da população é Han. Dentro do Tibete, além dos tibetanos, há outras nacionalidades, como os Moinbas, Lopas, Naxis, Huis, Dengs e Xiaerbas. Claro que só os tibetanos são estrelas em Hollywood, ou melhor, somente a antiga elite e seu “Deus-Rei”, o Dalai Lama.

O Tibete começou a se assemelhar a um Estado por volta do século VII com a adoção de um monarca, uma religião associada ao governo e uma linguagem escrita. Quinhentos anos depois, Genghis Khan e os mongóis conquistaram a China e o Tibete, fundando a dinastia Yuan e aliando-se à seita Gelupga do budismo tibetano, numa relação em que os mongóis ofereciam proteção militar em troca de orientação espiritual. Os monges também criaram o status de Dalai Lama. Conseqüentemente, o Tibete veio a se tornar parte do Estado chinês, embora um estado chinês governado por mongóis.

A dinastia étnica Manchu Qing (1644-1912) incorporou o Tibete à Grande China administrando-o através de um comissariado que, na realidade, raramente se envolvia nos assuntos tibetanos, ocasionalmente enviando exércitos para defendê-lo contra invasões estrangeiras.

No final do século XIX e início do século XX, o Tibete se tornou um joguete entre o imperialismo britânico e russo, culminando com o envio de uma força militar que o colocou sob influência britânica.

Com o colapso da dinastia Qing, em 1912, diversas partes do império chinês, incluindo o Tibete, tornaram-se de fato independentes até 1949. Embora tenha tido todos os atributos de um estado independente (incluindo moeda, exército, relações exteriores e um governo), nunca teve uma independência de jure, pois numerosos tratados internacionais reconheciam apenas a suserania sobre todo o Tibete.

Após a chegada ao poder do Partido Comunista Chinês, um governo central forte foi restabelecido na China, junto com uma determinação de retomar os territórios da antiga dinastia Qing, evoluindo com a integração total do Tibete à China em 1951.

No final de 1956, tibetanos armados emboscaram comboios do exército chinês, com ampla assistência da CIA, que incluía treinamento militar, apoio em bases militares no Nepal e suprimentos jogados de aviões. Enquanto isso, nos EUA a American Society for a Free Ásia (também financiada pela velha CIA) dava publicidade à causa da resistência tibetana, com o irmão mais velho do Dalai Lama, Thubtan Norbu, participando ativamente desta organização.

O outro irmão, Gyalo Thondup, organizava, juntamente com a CIA, operações de inteligência desde o início da década de 50, mais tarde formando unidades de guerrilheiros cujos recrutas eram enviados de pára-quedas ao Tibete (mais de 700 destes vôos foram feitos em 1950, de acordo com os Pentagon Papers). Muitos destes comandos e agentes eram chefes de clãs aristocráticos ou filhos destes. Muitos lamas e membros da elite, bem como do exército tibetano, juntaram-se aos insurgentes, mas a maioria da população não, assegurando assim o seu fracasso (Hugh Deane, “The Cold War in Tibet” – CovertAction Quaterly – winter 1987; à mesma conclusão chegaram Ginsburg e Mathos - “Comunist China and Tibet”, 1964). Logo após, o controle da China era total.

Em 1961 as autoridades chinesas expropriaram as terras dos latifundiários e lamas e as distribuíram aos camponeses. Incentivos à pecuária e à irrigação foram implementados e a introdução de novas variedades de vegetais, trigo e cevada trouxeram benefícios à produção. Escolas, hospitais, estradas, redes de eletricidade e água corrente supriram muitas das deficiências antigas do velho Tibete (Greene, “A Curtain of Ignorance” e A.Tom Grunfeld, “The Making of Modern Tibet”, 1996). Porém, durante a Revolução Cultural, um autêntico genocídio cultural assolou o Tibete, incluindo a destruição de vários templos religiosos, repressão e prisão de dissidentes, com repercussões até hoje.

Muitos afirmam que, antes da invasão chinesa, em 1959, o velho Tibete era um reino orientado espiritualmente, livre do estilo de vida egoísta, do materialismo vazio e dos vícios corruptores das modernas sociedades industriais ocidentais. Um verdadeiro Shangri-la. Nas palavras do atual Dalai Lama: “Desfrutávamos de liberdade e contentamento”. Mas a realidade sugere um quadro um pouco diferente.

Apesar dos livros de James Hilton (Horizonte Perdido) e de Heinrich Harrer (Sete Anos no Tibete) promoverem uma visão romântica do Tibete, este era, em 1940, uma região sem estradas, somente com trilhas para cavalos e praticamente intocada pela industrialização. Os paralelos entre o Tibete e a Europa medieval eram marcantes (A.Tom.Grunfeld – “The Making of Modern Tibet", 1996). Consistia no território de “U”, onde o Dalai Lama dominava, e no território de Tsang, onde mandava o Panchen Lama. Os que clamam pelo “Grande Tibete” referem-se ao Tibete incluindo grandes partes de províncias adjacentes: Sichuan, Yunnan, Gansu e Quinghai (também a Bacia de Tsaidam, rica em petróleo). Abaixo do Dalai Lama havia os membros da aristocracia (proprietários de terras que, em sua maioria, descendiam dos antigos monarcas tibetanos antes da invasão mongol), e a maior parte da população era de servos, com uma pequena parte, cerca de 5%, de escravos da nobreza.

Em seu livro (com prefácio do Dalai Lama) “Tears of Blood – A Cry for Tibet”, Mary Craig descreve que o Tibete “era uma sociedade feudal medieval e, trabalhando para as propriedades do governo, nos latifúndios dos monastérios ou nas terras das duzentas e poucas famílias aristocráticas, o camponês tibetano, inegavelmente, pertencia ao seu senhor. Tinha que produzir uma quantidade de trabalho compulsório em troca de seu pequeno pedaço de terra e dar a maior parte de suas colheitas ao seu senhor, ficando apenas com o mínimo para sua subsistência e de sua família. O senhor (incluindo também os Lamas) não só tinha o direito de exigir as taxas que quisesse, como também de impor punições cruéis para os que não o obedeciam. Pena de morte e amputação de membros eram comuns em algumas regiões”. As mulheres eram consideradas inferiores aos homens e a poliandria e a poligamia eram comuns. O budismo era utilizado pelo Dalai Lama e o Panchen Lama para oprimir os servos. Enquanto isso, o Dalai Lama vivia no palácio Potala, de 14 andares, com 1000 aposentos e seu séquito de escravos.

Antecessores do atual Dalai Lama envolveram-se com amantes, festas e violência. Pelo menos cinco deles foram assassinados e inúmeros outros atos de violência contra outras seitas budistas foram perpretados. Meninos eram retirados de suas famílias e levados aos mosteiros para se tornarem monges. Uma vez lá, não mais saíam. O monge Tashi-Tsering relatou que era comum a criança camponesa ser abusada sexualmente nos monastérios, ele mesmo tendo sido vítima de repetidos abusos, desde os 9 anos (Melvin Goldstein, W.Siebenschuh e Tashi-Tsering, “The Struggle for Modern Tibet”, 1997).

Em 1937, Spencer Chapman visitou o Tibete (citado em Gelder e Gelder, “The Timely Rain: Travels in New Tibet”, 123-125, 1964), observando que “os monges não perdiam tempo pregando ao povo ou educando-o. Os mendigos ao longo das estradas não são nada para os monges. O conhecimento é uma prerrogativa dos monastérios, zelosamente guardado e é usado para aumentar sua influência e riqueza”.

Após o levante de 10 de março de 1959 o Dalai Lama resolve salvar sua atual encarnação fugindo para a Índia (Dharamsala) com a elite aristocrática e religiosa e criando assim um governo no exílio. Este, até pelo menos o início da década de 70, recebeu US$ 1,7 milhões da CIA. O dinheiro era para financiar operações de guerrilha contra os chineses, não obstante a posição de “ativista da não-violência” do Dalai Lama, ele próprio na lista de pagamentos da CIA de 1950 a 1974, recebendo cerca de US$ 15 mil por mês (Michael Backman, “Behind the Dalai Lama´s Holy Cloak”, The Age, May 23, 2007). No início deste século o congresso americano, através do National Endowment for Democracy, continuava a enviar anualmente US$ 2 milhões para a comunidade tibetana no exílio. Além destes fundos, o Dalai Lama receberia dinheiro do financista George Soros, segundo informa Heather Cottin (“George Soros – Imperial Wizard”, CovertAction Quaterly 74, Fall 2002).

Em abril de 1999, juntamente com Margareth Thatcher, o Papa João Paulo II e o presidente George Bush (pai), o Dalai Lama pediu à Inglaterra que não permitisse que o ditador Augusto Pinochet, em visita à Inglaterra, fosse obrigado a ir à Espanha, onde seria julgado por crimes contra a humanidade. Também apoiou a intervenção americana na Iugoslávia e, mais tarde, no Afeganistão, numa atitude muito curiosa para um Prêmio Nobel da Paz. Em relação à guerra do Iraque, foi mais cauteloso: “a guerra do Iraque – é muito cedo para dizer se é certo ou errado” (San Francisco Chronicle, nov. 2005).

Não se pode, no entanto, culpar o atual Dalai Lama pelos abusos do antigo regime tibetano, mesmo porque tinha 25 anos quando foi para o exílio. O que se critica é a mídia ocidental, juntamente com artistas de cinema, cantores etc., que se recusam a enxergar criticamente a figura do Dalai Lama e o budismo, que engendrou, como qualquer outra ditadura religiosa, um regime reacionário e assassino (em 1998, o U.S State Department listou trinta dos grupos extremistas mais perigosos e violentos do mundo; metade deles eram religiosos, incluindo budistas).

Por razões religiosas, muitos tibetanos querem o Dalai Lama de volta ao país, mas parece que poucos desejam um retorno à ordem social que ele representou (“Tibet Caught in China´s Web”, John Pomfret, Washington Post, 23 julho 1999).

É preciso deixar claro que celebrar o fim da teocracia feudal no Tibete não é aplaudir tudo o que os chineses fizeram neste país. Este é um ponto pouco compreendido pelos ocidentais, que sempre viram o Tibete como um Shangri-la.

Se o que os chineses levaram ao Tibete após a invasão foi uma melhora ou um desastre, não é o ponto central aqui. A questão é que tipo de país era o velho Tibete e a suposta natureza idílica espiritual deste velho país antes da invasão.

Podemos advogar uma liberdade religiosa e independência para o novo Tibete sem ter que abraçar a mitologia acerca do velho Tibete. Na verdade, o Tibete nunca foi o Paraíso Perdido. Era uma odiosa teocracia feudal retrógrada e repressiva - muito distante de um Shangri-la.

34 comentários:

paschoal disse...

Muito bom, eu nunca havia me interessado pelo Tibete, até porque sempre me foi passada a imagem de um Shangri-la.
Agora, taí a verdade. Gostei.
Valeu, parabéns ao articulista e a voce Tambosi, sempre atual

Anônimo disse...

Gostei muito do texto. Parabens aos dois. Vivendo e aprendendo.

Leticia disse...

Um dia descobrem que o Dalai Lama é ingrêis...

Maria do Espírito Santo disse...

O Dr. Antônio Sérgio Ferreira Batista demonstra ter firmes convicções a respeito do que vem a ser o Tibete "real". Num primeiro momento eu supus que para falar com tanta certeza sobre esse território também conhecido como "o topo do mundo", ele deveria ter vivido por lá no mínimo uma década! O que seria praticamente impossível, pois estrangeiros fixados no tibete são raríssimos e brasileiros então, nem se fala.
"Taí a verdade", Paschoal? Pô, impressionante... Pena que eu seja tão obtusa que não consiga enxergar essa tal "verdade" sobre o Tibete, partindo apenas de um longo texto escrito por um médico de Joinville!
Interessante, por exemplo, é a argumentação do autor a respeito de quais seriam os objetivos visados por ele ao escrever o seu artigo. Depois de desfiar um rosário de intervenções "alienígenas" e CIAticas no Tibete, cujo fundamento político é óbvio, o autor me sai com a seguinte: "Se o que os chineses levaram ao Tibete após a invasão foi uma melhoria ou um desastre, não é o ponto central aqui. A questão é que tipo de país era o velho Tibete e a suposta natureza idílica deste velho país antes da invasão".
Ora, ora, ora, meu caro doutor! O senhor está sendo contraditório! Constrói praticamente toda a sua argumentação em cima das participações "alienígeno-ocidentais" (leia-se americano-CIAticas), cita as verbas "doadas" ao governo tibetano no exílio, inclusive os 15 mil dólares de "salário" para o Dalai Lama, e depois vem dizer que a invasão chinesa não é o ponto central "aqui"? Não lhe parece límpido e transparente que toda essa parafernália ideológico-monetária americana pra cima do Tibete só tenha ocorrido em função da invasão do Tibete pela China?
E se assim é (e é assim, doc.)como dizer que esse não é o ponto central do seu artigo?
A tal "suposta natureza idílica espiritual deste velho país antes da invasão" é, sem sombra de dúvida, hollywoodiana. Mas a sua versão, por outro lado, tem também lá seus fumos incendiários de uma também hollywoodiana pseudo-objetividade histórico-documental.
O argumento retirado do livro de Spencer Chapman de que "os mendigos ao longo das estradas não são nada para os monges" é completamente descabido. Como é que esse Spencer saberia o que são ou deixam de ser os mendigos no "mundo interno" dos monges? Spencer fez um comentário inteiramente "impressionista" e como diz o Tambosi, subjetivismos não podem fazer parte do elenco de uma argumentação objetiva. Assim sendo o tal Spencer fez um comentário subjetivo e o senhor pinçou o comentário subjetivo e quis transformá-lo em argumento. É claro que não deu certo.
Outra coisa: não vejo contradição nenhuma entre o ativismo não-violento do Dalai Lama e o fato dele receber financiamento para operações de guerrilha contra os chineses. Esta exigência de coerência integral, 100% pura, por parte de um lama tibetano é que é absurdamente idílica e fantasiosa! O que seria de se esperar? Que o Dalai Lama seguisse "meditando" no exílio, sem nenhum contato com a dura e concreta realidade política deste mundo real em que ele e todos nós habitamos?
O budismo, entre várias seitas religiosas que eu conheço, é muito prático. Meu mestre zen, com quem aprendi a lutar e a lutar bem, dizia que é preciso aprender a matar e para bem matar é preciso primeiro matar dentro de si o medo de matar.
Este mundo em que vivemos não é o paraíso e existe um hiato, ou melhor, um abismo quase intransponível entre as idéias que defendemos e o poder efetivamente colocá-las em prática. Nenhuma outra religião deixa isso mais claro do que o budismo tibetano.
No plano ideal o Dalai Lama é um ativista da não-violência. Mas ele sabe que esse mundo é real e não ideal.
E já que o senhor exige tanta coerência por parte do Dalai Lama, espero que o senhor exija coerência de si mesmo e pratique a medicina 24 horas durante toda a sua vida, de acordo com o juramento de Hipócrates feito pelo senhor na sua formatura. O senhor atende a todos os doentes que lhe procuram a qualquer hora do dia ou da noite? Duvi-de-ó-dó. Tudo bem: o senhor não é um tulku tibetano mas é um médico brasileiro. E como os médicos no Brasil ainda são considerados semi-divindades me parece coerente que eu exija do senhor a mesma e rígida coerência que o senhor cobra do Dalai Lama.
Para terminar, doutor, eu acredito mais nos pontos de vista de quem conhece a teoria e a prática de qualquer assunto.
Eu pratiquei o budismo tibetano durante dez anos. Budismo é uma atividade prática, pode ter certeza! Não tem livro sagrado nenhum, não tem conceitos de pecado e perdão entranhados nessa prática. Tem, sim, muitas aulas de karatê de Okinawa, tem tanta prática corporal como exercícios "espirituais" de meditação. E o "espirituais" veio entre aspas porque para eles não existe esta cisão tão cara aos ocidentais entre "corpo e alma". Para o budismo, in medio virtus mesmo, no duro da cebola. Tanto que a prática budista é chamada de O caminho do meio.
Quanto ao fecho do seu texto, o que o Tibete foi ou deixou de ser realmente pouco importa para o aqui e agora. Assim como pouco importa as barbaridades e atrocidades cometidas em qualquer país ocidental no mesmo período do suposto Paraíso Perdido. As guerras coloniais na África, as guerras mundiais, a presença da Ku Klux Kan nos Estados Unidos e outras maravilhas, nos mostra e comprova que não há paraíso perdido em lugar nenhum.
Os lamas tibetanos sabem disso com clareza. Com muito mais clareza do que nós, os ocidentais falastrões que se borram de medo na hora de enfrentar uma boa briga "física" num tatame ou fora dele.

Fábio Mayer disse...

Perfeito, Tambosi!

É exatamente o que eu tentava dizer para umas pessoas tampos atrás e não conseguia...ahahahahah!

Essa manifestação do Tibete agora, é demagógica e oportunista, porque deveria ser feita a partir de 2000,quando esclheram Pequim como sede das Olimpíadas. Na época o problema era o mesmo e ningúém protestou.

Fora isso, como querer que o Tibete, cuja luta por independência ou "autonomia" é espasmódica, se livre da China?

Bobagem, não se governa com monges e tradições medievais. Se eles fossem inteligentes, abririam mão da tal autonomia em troca de alguma liberdade religiosa e investimentos econômicos... mas é a tal coisa, daí, muita gente que pretende ter poder ficará frustrada.

Maria do Espírito Santo disse...

Por mais que eu quebre a cabeça
Não entendo essa nova premissa:
O Tibete era um país,
Agora é um ponto de vista.

Alcides Raizer disse...

O Tibete pleitear autonomia é o mesmo que um dedo pretender arbítrio.

O Tibete é Chinês. Não, MALVINAS, GUIANAS,ANAS E SANA.

Alcides Raizer disse...

Parabéns, Antonio Sergio Ferreira Baptista.

Parabéns, Orlando tambosi, pela coragem e democracia bloqueira.

Maria do Espírito Santo disse...

Vai dormir vovó Naná...

pazkoal disse...

Querida Maria do Espírito Santo.
Que ironia não? Com um nome desses se dizendo budista!!!
Pois é a vida tem dessas coisas, azar o seu. Só estou lhe respondendo porque me citou nominalmente.
Voce diz em seu blog que tudo que é tolo perde a aura.
Muito bem colocado, voce já nasceu sem ela.
Só porque voce não respeitou meu ponto de vista.!!!

Maria do Espírito Santo disse...

Pois é Pazkoal... Uma providência que eu preciso tomar urgentemente é tirar o meu ex-blog de circulação. Já pedi ajuda ao Tambosi e reitero o pedido.
Acho o cúmulo da sacanagem ser "invadida" por gente que não tem argumentos e apela praquilo que eu escrevi no meu blog.
Quem escreve literatura, quem faz poesia, se vira do avesso, põe a alma a nu, pra gente que definitivamente não merece essa absoluta entrega.
Porque você não ficou aqui, na discussão que está em pauta? Com que direito foi fuxicar o meu blog? Certamente porque ele está aqui lincado, né, não?
Tambosi, por favor, por gentileza, por amizade: detone essa merda de Vitória de Samotrácia já, agora, assim que você ler esse meu pedido.
Entende por que é que eu não quero jamais publicar?!
Gente sórdida, baixa, não merece ouvir o que eu tenho a dizer!
Não respeitei o seu ponto de vista, Pazkoal?! Eu simplesmente emiti o meu. Se o meu ponto de vista é contundente, azar o seu!

Maria do Espírito Santo disse...

Como se não bastasse a besta quadrada do Catellius que, também jogando baixo, foi lá no meu ex-blog pra ridicularizar o que eu escrevo.
Gentalha, gentalha, é o que são!
Sábios aqueles que são poços, que escondem a sete chaves os sentimentos que lhes vão na alma!
Sim, porque a gentalha baixa, virulenta, vai direto no ponto mais vulnerável, mais frágil da besta que se expõe e sacaneiam na maior!
E eu faço a mesma pergunta que sempre faço em casos como esses: Qual é a diferença entre esse ditos anti-petralhas e os petralhas?
Nenhuma! Nenhuma mesmo! Gente sórdida tem de ambos os lados, pelo visto.

Maria do Espírito Santo disse...

Sem palavrões. A palavra de ordem é: sem palavrões. com S e não com C. Eu prefiro o C ao S de injustiça. Tenho ódio de injustiça. Babaca é palavrão? Cretino é palavrão? Idiota é palavrão? Não? Então tá tudo certo.
Pronto! Blog devidamente detonado. Não sou pro bico do vulgo. Do vulgar. Do "vigente". Do "vigilante" menos ainda. Por que sempre eu sou a que tem que se calar? Por que sou eu a "calada"? Chega, cambada!!! Chega!!! Chega, de vez!!!

Maria do Espírito Santo disse...

E você, seu Pascoalzinho de merda, é um idiota incapaz de pensamento crítico, sem argumento, sem ratio, sem bosta nenhuma. E pode detonar com o meu comentário, dono do blog!

Anônimo disse...

Excelente artigo. Apenas faltou dizer que o Dalai Lama, em recente visita ao Brasil, aqui advogou abertamente a internacionalização da Amazônia !
MULTIFÁRIO

Cfe disse...

É claro que o Tibete era atrasado e provavelmente já não teria como chefe de estado o Dalai Lama caso, hoje, fosse independente.

Mas isso não significa que por ser este a atual oposição no exílio que devamos ser a favor dos chineses. Nem sequer o fato do progresso econômico justifica barbaridade.

PS: Quanto ao Pinochet, a informação básica que ninguem gosta de fornecer é que o Baltazar Garzon pediu extradição do antigo ditador por motivos políticos. Um ditador que saiu do poder pelo seu próprio pé.

Alcides Raizer disse...

Maria explodiu, hehehehe

Sobre a alma poeta
Graças a la vida!
Por ter nos dado tanto...

Compartir é lei Natural, o "dom" individual é dado em benefício da Humanidade.
Aí daquele, que não desnudar-se, querendo esconder o que deve ser revelado.

Quanto ao Tibete? Digo, o direito da China sobre o Tibete e maior do que seu direito a HONG KONG, se tiver que usar força, use, se tiver que abusar, abuse, a soberania é inviolável, seja na china ou nas cucuias.


Já existem Empresas extraindo a Agua, (a mais pura e cara do Planeta), em montanhas tibetanas, embora isso não seja muito "grave" o problema são as bombas de Nitrogênio que são instaladas no buraco dágua...

Ta loco! só pro Dá Lama, mesmo.

Neichan Du disse...

"É preciso deixar claro que celebrar o fim da teocracia feudal no Tibete não é aplaudir tudo o que os chineses fizeram", escreve, com acerto, o articulista. No entanto, esse tímido reconhecimento do que "os chineses fizeram" e continuam fazendo lá não o exime de passar a impressão de que tenta - por via indireta, é verdade - justificar a invasão chinesa. O que implica em justificar, por extensão, o genocídio praticado pelos invasores (que não foi apenas "cultural", é bom que se diga), sob a alegação de que o Tibet não era "lá" nenhum Shangri-lá. Vendo a questão pela perspectiva do oprimido, é bom lembrar que os dados relativos ao holocausto ocorrido no topo do mundo são do domínio da comunidade internacional e é bastante estranho que não tenham figurado num artigo dessa natureza, em que seria de bom tom pelo menos fazer menção de que há um outro lado a ser apreciado. Num exercício meramente especulativo, será que essa referência teria sido omitida caso fossem, por exemplo, guardando todas as ressalvas, os EUA que tivessem invadido o Tibet e cometido lá as atrocidades levadas a cabo pelos comuno-fascistas chineses?
Ipso facto, parece-me que o articulista se debruça apenas sobre um dos lados da questão, o que permite supor que tenha tratado do tema sob um viés ideológico. O fato é que não há como justificar as monstruosas ações patrocinadas pela China naquele país, ainda que sob a insinuação implícita de que estaria resgatando o Tibet de "uma odiosa teocracia feudal retrógrada e repressiva - muito distante de um Shangri-la". Antes de mais nada, é preciso considerar que a maior e uma das mais ferozes ditaduras que já foram construídas no mundo precisaria primeiro resgatar-se a si mesma do odioso regime feudal em que ainda se encontra imersa, pelo menos no que tange aos direitos trabalhistas dos milhões de "escravos-amarelos" de que se serve, à cidadania e aos direitos humanos em geral.
É triste ter que reconhecer isto, mas se os tibetanos foram resgatados de um inferno foi para viver em outro inferno ainda pior, sob uma ditadura "odiosa, retrógrada e repressiva", imposta pelas forças comuno-fascistas de ocupação. E quero crer que seja justamente por isso que estejam se rebelando, a custo da própria vida. Por enquanto, mais de uma centena de vidas, número este que deverá crescer exponencialmente caso continuem insistindo em desafiar os seus "benfeitores". Ou será que eles vivem em algum novo Shangri-lá de que não temos notícia ainda e a rebelião em curso não passa de ser mais uma maquinação engendrada pela CIA?

shirlei horta disse...

Eu entendo bem o argumento do Fábio no que diz respeito ao boicote às Olimpíadas. Agora, não fizemos, talvez não façamos um protesto, mas isso não elimina da história o genocídio praticado pelos chineses, a morte da maioria dos monges, a destruição dos templos, a proibição da crença religiosa e o fato mesmo de existirem, agora, neste momento, pessoas desafiando a ordem chinesa. Já estão falando em televisionar os jogos não em tempo real, para poderem censurar as imagens. Isso é um bom indício? Censura é bom indício do que quer que seja? E quem atesta a melhora na qualidade de vida dos tibetanos nos últimos 50 anos? Vejam, não estou afirmando - porque não sei - estou questionando. E minhas questões não tem sido satisfatoriamente respondidas. Em tempo: sou agnóstica e radicalmente contrária a qualquer tipo de ditadura, seja ela religiosa (como alegam ser o objetivo dos monges tibetanos) ou não (como tem sido a da China sobre o Tibete).

Anônimo disse...

Antes que me acusem de estar recebendo o “ouro de Pequim” (o que, infelizmente, não é verdade), permitam-me, os leitores deste blog, esclarecer alguns pontos referentes ao artigo que cometi a petulância de escrever.
Imaginei eu que referências maiores à abominável repressão chinesa e às razões político-econômicas que moveram a estreita colaboração financeira e militar dos EUA ao Governo Tibetano no Exílio, tornaria este artigo insuportavelmente longo e já há exaustivas (e mais competentes) análises destas na mídia mundial.
Ao visitar a China Comunista não pude ir ao Tibet devido a proibição (característica comum dos regimes totalitários) das autoridades chinesas. Mas, hoje em dia, com a possibilidade de comprar qualquer livro pela Amazon.com, não é necessário viver dez anos em um país para se conhecer sua história. Continuar a pensar assim é como achar que os astronautas que pisaram na lua sabem mais sobre nosso satélite do que os cientistas. BS.
Spencer Chapman apenas relatou o que viu no antigo Tibet e os fatos comprovam suas observações. Não há nenhum historiador sério que ponha em dúvida a natureza feudal do antigo Tibet.
A idéia de que “...é preciso aprender a matar e para aprender a matar é preciso primeiro matar dentro de si o medo de matar” cabe mais na mente doentia dos terroristas do que nos que nos adeptos da não violência (ao menos pretensamente). (Pergunto-me se o exército chinês também comunga desta idéia... Mas apenas divago.)
Não é a toa que o U.S.Department tenha listado budistas como pertencentes aos grupos mais violentos do mundo.
Minha crítica vai para os ativistas do movimento para a libertação do Tibet, que se esqueceram de criar um movimento para a libertação dos Uzbeks ou dos pobres habitantes do Turkmenistão, cínicamente anexados pela Rússia que também tiveram sua cultura esmagada e sofreram violenta repressão. Talvez porque não tenham a figura bonachona, paternal e com uma linguagem cheia de lugares-comuns de um Dalai Lama para passear pelo mundo defendendo suas causas. Definitivamente Uzbequistão e Turkmenistão não fariam sucesso em Hollywood. E que tal propor a independência do Havaí tomado de seus pacíficos (?) nativos pelos EUA ? Falta de coerência. Uh, Uh?
Quanto ao Dalai Lama, Christopher Hitchens já bateu o suficiente em sua figura patética (SALON, july 13, 1998).
Apesar de nunca ter tido medo de enfrentar budistas aloprados em qualquer lugar, hoje, já envelhecido, só me resta o combate das idéias, (onde talvez perca mais do que ganhe) coisa que filosofias rastaqueras não têm condição de participar.
Como minha atividade de médico me obriga (vide Código de Ética Médico) a atender a qualquer chamado de pacientes, a qualquer hora do dia ou da noite, procuro hoje estudar apenas aquilo que merece ser estudado. Portanto meu interesse pelo Budismo, religiões ou outros misticismos é zero.
Para quem deseja compreender o Tibet e quiser aceitar uma sugestão de um reles médico de Joinville, recomendo ler “The Snow Lion and the Dragon” de Melvyn C.Goldstein.
Mas, tomando emprestado a frase de Stephen Fry: “Read it wisely, Little One, for the power of ignorance is great”.
Zhi bde *.

*Paz em tibetano
Ps-estou com dificuldades no meu computador, desculpem.

Anônimo disse...

Se a intenção do autor foi apenas demonstrar que o Tibet, enquanto realidade histórica, não era nenhum Shagri-la antes de sua insvasão pela China, creio que ele apenas reproduziu (não sem mérito) algo que já é sobejamente conhecido de todos.
Contudo, a sua abordagem parece mesmo ter sido pautada por um viés ideológico, o que compromete seriamente a isenção da análise nela contida, além de contribuir para a justificar, de alguma forma, as atrocidades que a China vem cometendo naquele país desde que o invadiu.
Assim sendo, receio que o seu belo artigo venha a contribuir, pelo menos entre os mais afoitos e desinformados, para reforçar a idéia de que regimes feudais "odiosos, retrógrados e repressivos", tais como o do antigo Tibet (ou o do Iraque recente) devam ser resgatados, "manu militari", do limbo em que se encontram, sob os aplausos ou a indiferença, que seja, da comunidade internacional. Ainda mais quando esse pretenso resgate significa apenas a imersão numa realidade tão "odiosa, retrógrada e repressiva" quanto a que os comuno-fascistas chineses implantaram no Tibet.

Maria do Espírito Santo disse...

“...é preciso aprender a matar e para aprender a matar é preciso primeiro matar dentro de si o medo de matar” cabe mais na mente doentia dos terroristas do que nos que nos adeptos da não violência (ao menos pretensamente).
Tentarei traduzir, com mais eficiência, o que disse.
Antes de mais nada, terroristas, até onde me conste, não lutam sobre um tatame, corpo a corpo. E num tatame se aprende a matar (o que não significa matar efetivamente. Aprende-se a matar em caso de ataque físico direto. Aprende-se que em certas circunstâncias extremas é necessário matar para se defender. Se defender, entendeu, doutor? Não é por acaso que se chamam as práticas no tatame de Defesa pessoal.)Aprender a matar o medo de matar... Tradução: Dentro de nós mesmos matamos "idéias", "concepções","preconceitos" ou mesmo certas certezas absolutas que costumamos carregar pela vida afora - e quanto mais velhos ficamos mais tendência temos para solidificar certas certezas vazias -. É isso que é aprender a matar o medo de matar. É matar a própria burrice, a própria ignorância, o próprio radicalismo.
E esta prática zen-budista está longe de qualquer coisa que cheire a terrorismo.
Sua referência comparativa, doutor, é que se compara a um coquetel molotov.
Quanto a haver budistas entre os "grupos mais violentos do mundo", pode ser, pode ser... Um budista de verdade tem que saber lutar e bem, muito bem. Mas por falar em violência "física", o exército de Israel é treinado numa luta que o senhor doutor já deve ter ouvido falar e que se chama Krav Magá... Olha doutor, eu brigo bem, dou sorte e os Bodhisatvas, sem falar nos meus queridos Orixás, (Ephahei, Oiá!) me ajudam legal, viu? Mas eu não encararia um lutador israelense de Krav Magá de jeito nenhum! Afino bonito!
A linguagem do Dalai Lama é cheia de "lugares comuns", doutor? A figura dele é patética? Não creio que sua opinião sobre o Dalai Lama o incomodaria um milésimo de segundo sequer. Mas tenho a dizer, nestes quesitos, e em "defesa" do Dalai Lama que o seu texto não me pareceu passear por lugares incomuns não... Aliás, como o senhor mesmo disse, suas opiniões sobre o Tibete são embasadas tomando por referência figuras de autoridade no assunto. No más. E quero crer que o senhor concorde comigo que, se além de ler sobre o Tibete nas horas vagas e por diletantismo, o senhor tivesse vivido alguns anos, ou mesmo uma década, por lá, seu ponto de vista seria não o de um diletante mas o de um conhecedor do país.
Leia sabiamente, pequena criança, porque o poder da ignorância é grande?
Ô, doutor! Meu inglês é péssimo! O senhor poderia ter dado essa "receita" em português mesmo para eu poder usufruir em vernáculo desse sábio conselho...
Tambosi,
é verdade mesmo que entre pessoas cultas e educadas o debata fica só no plano das idéias e não há agressão à pessoa do interlocutor oponente?
Olha... Há poucas, pouquíssimas raras pessoas realmente cultas e educadas no planeta... No Grotão, então o montante é desprezível em termos matemáticos.

Maria do Espírito Santo disse...

Desculpe-me, Tambosi, mas eu não vou ficar com esse "terrorista" indireto atravessado na minha garganta, não. Não vou, mas não vou mesmo!
Sabe quem é uma budista-terrorista, doc? Acho que não é preciso dizer, não é mesmo?

shirlei horta disse...

E eu continuo confusa...

Maria do Espírito Santo disse...

Olha, Shirlei, já que o Tibete, no meu infeliz versinho lá em cima, deixou de ser um país para ser um ponto de vista, eu vou dizer o que penso do Tibete. E como o Tibete era, até a invasão da China, um país budista - o que está longe, mas muito longe mesmo, de significar uma teocracia, até porque não existe essa bizarra figura de uma divindade barbuda ou não no budismo tibetano - vou dizer o que significa para mim a relação Tibete/budismo.
O budismo tibetano só se tornou conhecido de forma mais ampla depois da invasão do Tibete pela China em 1949. E como tudo o que é divulgado massivamente costuma ficar no nível epitelial, o budismo foi diretamente "vendido" pela midia como sendo equivalente à Lost Horizont e outras babaquices hollywoodianas congêneres.
E isto, é claro, dá margem a reações da ala dos "racionais" e dos seres objetivos diretos e indiretos... É exatamente assim: a terminologia gramatical não foi usada por acaso. Criticar o budismo tibetano faz parte da gramática do politicamente "lúcido", uma variante do "politicamente correto" posto serem ambos epidérmicos e superficiais. Os críticos do budismo dizem terem lido os autores tais, tais e tais. Mas se esquecem de um fator determinante: budismo é prática e não teoria. Como já disse num dos meus intermináveis comentários, o budismo não tem livro sagrado, não tem dogmas, não tem nem deus. É uma religião no sentido de base do termo religare. Religar-se a quê? Respondo: ao "Vazio". Mas isso é só e perenemente uma tentativa, porque o mundo é "cheio" e nós somos a "cheitude plena" em forma de gente. Isso pra não falar em nosso saco que, mesmo que a gente seja mulher, vive cheio do mesmo jeito.
Pois bem. Quer ler algo sobre a "conversão" ao budismo?
http://www.pucsp.br/rever/rv2_2002/p_shoji.pdf
Voltando à questão da imagem que o ocidente "vendeu" do budismo. De fato, não há nada que possa ser mais falso.
Budismo é basicamente duas coisas: exercícios "espirituais" e exercícios físicos. Coisa aproximada se pode ver no ocidente com os exercícios "espirituais" de Santo Inácio de Loyola ou com o Ora et Labora dos mosteiros beneditinos.
Mas voltemos agora ao Tibete propriamente dito e inexoravelmente budista. O Tibete era, até 1949, um país budista, é claro, e que pelo visto parecia pretender (na linha da autodeterminação dos povos) continuar pacatamente budista, na sua "medieva" paz. Vai daí que a China invade o Tibete. E o ocidente hollywoodiano também. E aí vêm os anti-Hollywood, com sua prática de "milênios" calcada em livros, definir o que é e o que não é Tibete... Francamente...
Mesmo correndo um risco incrível -e ai, ai... estou tremendo de medo! - de ser considerada "relativista", não creio que o nosso querido ocidente grotônico em maiores ou menores proporções, esteja em condições de dizer o que era a vida no Tibete pré-1949.
Dizer que não era o tal de Lost Horizont? Pô, mas isso até eu que vivo em Belo Horizonte! É claro que não era, é óbvio que não era! Mas daí a, com base em "leituras" afirmar convictamente o que o Tibete vinha a ser? Menos, ocidentais grotônicos, menos...
Eu pratiquei o budismo e o budismo me foi muito útil como "caminho do meio" que é. Eu alcancei esse visado equilíbrio? Mas é claro que não! Eu tento. Eu busco. Como é - ou deveria ser - a prática humana.
O que aprendi com o budismo é muito simples: não se vive de teorias. Muito embora eu seja viciada em teorias, bem à moda do ocidente...
Isto não é uma contradição? Deve ser, mas eu pouco me importo. Boto o recheio da contradição num pãozinho de sal e o devoro. Às vezes vomito depois, outras vezes não. Há os que preferem botar o coração num pão e o devorarem antes que outros o devorem...
É uma questão de opção...
Não sei se você, Shirlei, ficou menos ou mais confusa...
Mas aceitar - e conviver - com a confusão e não com dogmáticas certezas sobre o Tibete, o budismo, ou o que quer que seja, é sinônimo de que você está viva. Viva e aberta ao novo. E o novo é o desconhecido: jamais certezas sedimentadas e tendentes ao "absolutas".

Anônimo disse...

Solidarizo-me com os budistas que se sentiram atingidos pelo artigo. Ele cita, por exemplo, que "budistas" se encontram entre os grupos extremistas mais violentos do mundo, mas é necessário acrescentar que, a despeito disso, o Budismo prega "maitri" e "karuna", que são a bondade amorosa e a compaixão. Tal como acontece com os ensinamentos cristãos que, vazados no amor ao próximo, têm sido distorcidos pelos seus seguidores, para justificar a intolerância e, até, o terror. Ou, então, como acontece, fora do âmbito religioso, com a Medicina, que sendo uma ciência sublime, devotada a consolar, aliviar e curar as dores humanas, conta, entre os seus praticantes, com uma imensa legião de traidores dos ideais hipocráticos e que, se forem, esses maus médicos, devidamente analisados, mesmo que seja só pelo prisma do "erro médico", poderiam ser catalogados entre os grupos mais "violentos" e assassinos do mundo.
O que nós precisamos mesmo é nos respeitar uns aos outros, inclusive quando fazemos uso da palavra para abordar um tema tão grave quanto este que vem sendo tratado aqui. Para não sermos, ainda que só por palavras, tão violentos quanto supomos violentos aqueles a quem afoita e generalizadamente acusamos.

Maria do Espírito Santo disse...

Venerado seja o lama que é os três corpos.
Venerado o corpo de vacuidade, por quem o Espírito abarca e penetra, Amitabha, buda da luz infinita.
Venerado o corpo de fruição, divindades pacíficas e iracundas da ordem do Lótus,
Venerado o corpo de emanação, Padmasambhava, vindo como salvador de todos os seres. (Livro Tibetano dos Mortos)
Qualquer semelhança com o Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo não é mera coincidência.
Mas há diferenças. As divindades iracundas são postas lado a lado com as pacíficas.
"A perfeição é uma meta, defendida pelo goleito que joga na Seleção e eu não sou Pelé nem nada..."
O budismo não nega o Mal: tenta, alquimicamente, transmutá-lo em Bem. Temos fúrias e orquídeas dentro de nós. O negócio é furiorquidear.
"Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo".
Conhecer-se a si mesmo é um bom conselho socrático. O budismo é a única prática inteiramente voltada para este exercício de conhecimento individual, solitário, exclusivo.
Isto seria conhecimento? Eu, na minha profunda ignorância, diria que sim. Se você se conhece razoavelmente bem, fica mais fácil se defender das manipulações "externas" políticas e religiosas, por exemplo. Ou será que não?
Quanto ao "terrorismo budista"... Alguém já ouviu falar em alguma organização terrorista tibetana? Não me faça rir que me dói o dente, belo!

Anônimo disse...

Acho importante esclarecer alguns pontos à Maria que se sentiu ofendida pelos meus comentários.
Evidentemente que não a acusei de ser uma budista-terrorista. Em meu comentário há uma referência ao seu mestre zen (não fica claro se a frase é dele) que “dizia que é preciso aprender a matar etc...” A interpretação metafórica me escapou, mas se lesse a frase “O mais essencial para o sucesso é o emprego perpétuo, constante e regular da violência” seria muito perigoso entender que esta “violência” se referiria à violência contra nossos maus pensamentos, nossos vícios, ou coisa do gênero, visto que esta frase foi retirada de “Mein Kampf”.
Tem razão o leitor que diz que os ensinamentos cristãos têm sido distorcidos por seus seguidores e que há médicos que traíram seus ideais hipocráticos e nesta sua opinião não está implícita nenhuma ofensa aos cristãos ou aos médicos. Trata-se de uma constatação.
Talvez por não ter a teoria e a prática do budismo não consigo ver muita originalidade quando leio:
1- “O amor e compaixão são necessidades, não luxos. Sem eles a humanidade não sobrevive”.
2- “Passe algum tempo sozinho, todos os dias”.
3- “O propósito de nossas vidas é sermos felizes”.
4- “O pensamento está onde queremos que ele esteja”.
5- “É melhor acender uma vela do que reclamar da escuridão”
6- “Retribua o mal com o bem...pois ao pagar o mal com o bem e por fazer o bem em todos os momentos progredimos para cima e nunca para baixo”.
7- “A inteligência é algumas vezes definida como a capacidade do indivíduo de adaptar-se às circunstâncias, ou adaptar as circunstâncias às suas necessidades”
Profundo ? Pode ser, mas somente as três primeiras são do Dalai Lama. As de número 3,4 e 5 são de Lobsang Rampa, um inglês ( Cyril H. Hoskins) que escreveu livros (com enorme tiragem) sobre o Tibet, se dizia Monge Tibetano (às vezes a reincarnação de um deles, as explicações variavam) e nunca havia saído da Inglaterra, e a última é de Bruce Lee. Ou será que troquei as posições ? Bem, não importa. Já afirmei antes que o Budismo, religiões, bodhisatvas, orixás e outros misticismos não me interessam e o objetivo do artigo não era discutir o budismo, mas não deixa de ser curioso que o ator (?) Steven Seagal foi proclamado um Lama reincarnado, um tulku do budismo tibetano. Esta decisão foi ratificada por Penor Rimpoche, líder supremo da escola Nyingma do budismo tibetano. Insinuações sobre a importância da fortuna do ator(?) nesta sua elevação ao status de tulku carecem de fundamento, é claro. Honni soit qui mal y pense.
A incoerência do Dalai Lama é evidente quando afirma que “...o sistema econômico do Marxismo é fundado em princípios morais, enquanto o capitalismo está preocupado somente com o ganho e a lucratividade. ...e o Marxismo se preocupa com as vítimas da exploração imposta às minorias. Por estas razões o sistema me agrada e parece-me justo...A falência do regime soviético foi , para mim, não a falência do marxismo mas a falência do totalitarismo. Por esta razão, considero-me como meio marxista e meio budista” (The Dalai Lama em Marianne Dresser: Beyond Dogma:Dialogues and Discourses –Berkeley, Calif. North Atlantic Books, 1996).
Discordo do leitor que enxergou um “viés ideológico” no texto, porque enquanto a mídia fartamente denuncia as atrocidades cometidas pelas autoridades chinesas, a face teocrática e retrógrada do velho Tibet é pouquíssimo conhecida. Além disso, corre-se um risco de um raciocínio falacioso:
-Um país era muito atrasado.
- Após ser invadido por outro algumas coisas melhoraram.
- Portanto temos que invadir todos os países atrasados para que algumas coisas melhorem.
Modificando um pouco:
- Um paciente tinha muitos problemas, inclusive uma infecção nos dedos.
- Após ter sua mão amputada pelo cirurgião, melhorou um pouco porque acabou a infecção nos dedos.
- Portanto temos que amputar as mãos de todos os pacientes com infecção nos dedos para que melhorem.
Premissa 1 correta, premissa 2 correta, argumento inválido.
E concluindo, para quem nunca ouviu falar em terrorismo tibetano, o exército cambojano de Lon Nol era budista; Solomon Bandaranaike, primeiro líder eleito na independência do Sri Lanka foi assassinado por um militante budista. A guerra que arruinou o Sri Lanka até hoje, foi desencadeada por um pogrom liderado por budistas. A junta militar fascista que governa Burma (SLORC) é budista. Robert Thurman um dos maiores estudiosos do budismo nos EUA e velho amigo do Dalai Lama diz que “não é errado chamar os Shugdens (seita que se considera como os guardiões do budismo tibetano) de o Taliban do budismo tibetano” (CESNUR, 6 de maio de 1997).
Brigar com os fatos é inútil, no tatami ou fora dele, e não há bodhisatvas ou orixás que consigam ajudar.
Agradeço aos leitores que elogiaram e criticaram o artigo, pois ele assim cumpriu um de seus objetivos.
Antonio Sergio

Neichan Du disse...

O articulista, infelizmente, insiste em continuar cometendo generalizações sobre o Budismo e seus seguidores. Ainda bem que ele admite "não ter a teoria e a prática do Budismo" e "não se interessar pelo Budismo", pois, do contrário, seria muito difícil entender a licença que se dá para assacar generalizações preconceituosas sobre o tema, ainda que disfarçadas pelo verniz lustroso das citações. Abusando disto, pode ser até que tenha seduzido alguns incautos, mas, certamente, não terá sensibilizado nem um pouco qualquer que tenha estudado pelo menos os fundamentos dessa belíssima filosofia oriental.
Quanto ao "viés ideológico" que supus ter entrevisto no seu artigo (diga-se, a bem da verdade, que não fui apenas eu quem teve esta impressão), ele não reside propriamente no fato de ter exposto "a face teocrática e retrógrada do velho Tibet", mas no fato de tê-lo feito com a aparente intenção de "justificar" a invasão do Tibet pela China. E isto seria absolutamente inadmissível, já que não se pode alegar desconhecimento em relação ao holocausto que a China protagonizou lá, no teto do mundo.
No entanto, como isto não está explícito no seu texto, quero crer que a minha análise foi equivocada, mesmo porque semelhante suposição não faria jus ao bom nível intelectual do articulista. Assim sendo, retiro o que disse.

Orlando Tambosi disse...

Vejo que o artigo gerou um saudável debate, acalorado como são os bons debates.
A propósito, digo apenas que Antonio Sergio é reticente em relação à autonomia do Estado tibetano. Não tenho simpatia alguma por ditaduras, ainda mais se teocráticas, mas acho que os tibetanos têm direito a um Estado. Sei também que dificilmente conseguirão efetiva autonomia diante do poder avassalador e dos interesses econômicos da ditadura chinesa. Diante disso, só se pode esperar resistência. Resultado: ainda vai correr muito sangue nas alturas de Lhasa. Para terminar, acho que os tibetanos, com ou sem lamas, têm direito a resistir.

Maria do Espírito Santo disse...

Pena que já pulou de página... As organizações tibetanas terroristas deveriam ganhar um nome mais representativo para figurarem com mais destaque no cenário mundial... que tal Baden my Lama? Buda September?
Vou escrever uma cartinha pro Dalai Lama...
Querido Dalai Lama...

Maria do Espírito Santo disse...

Prezado doutor objetivo,
sou inteiramente favorável ao Estado laico: Religião e Estado misturados estragam o princípio democrático fundante que é a liberdade.
O direito de pensar livremente, ou melhor, a obrigação de pensar por si mesmo que Kant chamou de maioridade intelecutal, não coaduna em nada com normas regras e princípios morais interferindo nas questões democráticas de um Estado moderno. Pelo menos em tese.
Por outro lado, esta compilação nada complicada de afirmativas de Dalais, Badalai e outros que tais, não infloe nem contriboe: mais parece caderninho de donzela com "sublimes pensamentos" sobre o que quer que seja.
Brigar com fatos no tatame ou fora dele? Jamais briguei com fatos no tatame ou fora dele, doutor. Brigo e já briguei com gente. Quem gosta mesmo de brigar com fatos são os hegelianos de carteirinha. Não é o meu caso e quem me conhece me compra.
Discussões neste espaço um tanto acanhado de comentarista de blog dá margem a muitos mal entendidos... Mas creio que o senhor, como médico que é, sabe muito bem que as palavras nem sempre são o melhor indicador para uma anamnese correta.
E por falar em fatos, os médicos, por força das circunstâncias, precisam mesmo de trancafiar a subjetividade no museu do mármore embalsamado.
Eu preciso da minha subjetividade pra escrever "poesia" e "literatura"...
Nossos pontos de vista, é claro, jamais serão coincidentes.
O senhor cura até dor de dentes.
Eu preciso de dor e de dentes.
Como o doutor pode notar, somos muito diferentes...

Neichan Du disse...

Em complementação ao comentário que expedi acima, gostaria de reiterar o meu apreço pelo artigo em questão, pois, com todas as ressalvas, legítimas ou não, que lhe fizemos, ele, como bem salientou o articulista, cumpriu brilhantemente um dos seus objetivos, suscitando acalorada discussão sobre um tema que vem mobilizando bastante o interesse da comunidade internacional.

Anônimo disse...

Não tome conhecimento por realização e realização por liberação